A mudança da trajetória dos juros e a consequente desaceleração da economia no segundo semestre (que esta FOLHA havia antecipado semanas atrás, com base em relatórios de consultorias independentes) já é aceita por órgãos oficiais. Sinais tímidos de redução na atividade econômica já se manifestam neste segundo trimestre, mostram os técnicos. Um dos indicadores são as taxas dos juros básicos.
A semana começou com a expectativa de alta de 0,75 ponto porcentual da Selic. Declarações dadas ontem pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, levaram os analistas do mercado financeiro a apostarem em uma alta de 0,75 ponto porcentual nos juros básicos da economia amanhã, quando termina a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom). Há indícios de novos ajustes, mas só em junho.
Análise financeira em linguagem muito técnica torna o assunto mais hermético e verdadeiramente chato. O mercado traduz esses cenários - montados por técnicos no mais castiço dos tecnicismos - em duas vertentes: o efeito dominó da taxa Selic sobre as taxas incidentes no crediário e seus efeitos colaterais, e o comportamento da economia que vai compor o novo quadro depois desses fatores inibidores. No fundo o que o Banco Central quer mesmo controlar é a inflação mas sem sair da zona de conforto. E da forma mais segura possível - para ele. Se conseguir voltará a afrouxar as rédeas de novo, pelo menos um mês antes das eleições.
Que influência isto vai exercer sobre a atividade econômica? Relativa. No comércio varejista, por exemplo, há outras gorduras a serem queimadas. Em primeiro lugar a alta dos juros do crediário pode ser compensada por outras facilidades: promoções, elasticidade do prazo e lançamentos. Na indústria o impacto vai se manifestar na redução da produção temendo acúmulo de estoque - um custo que não tem como ser repassado.
Agora a redução do ritmo da produção preocupa porque implica rapidamente na redução da oferta de trabalho, quando não na dispensa da mão de obra. Mas a economia vinha num ritmo bom, acumulou gordura, como dizem os técnicos, além disso este é um ano de eleição e tudo será administrável. E ainda tem a Copa do Mundo. O circo está montado e será apenas alegria, apesar das previsões.

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