Ainda não se encontrou fórmula melhor de promover o desenvolvimento econômico do que a intensa circulação da moeda. Este o simplório segredo, que dispensa estudos de cátedra e teorizações afins. Países desenvolvidos são aqueles onde o dinheiro gira veloz porque esta é a sua função e na esteira dessa trajetória vão ficando as marcas da melhoria de vida dos cidadãos. Se a moeda não anda, implanta-se a estagnação, porque ela é como o sangue que circula nas veias, sem o que a vida não pulsa. O crescimento econômico está atrelado à roda mestra que faz girar todas as demais, e ela tem um nome: dinheiro em intensa rotatividade. Nunca se soube que essa dinâmica tenha gerado inflação, a não ser que esteja presente o irmão gêmeo da moeda engessada, que é a baixa produção, a colocar em risco a estabilidade dos preços em caso de grande demanda.
No Brasil, uma coisa ruim está puxando a outra, ou seja: a cadeia produtiva diminuiu seu ritmo, porque a moeda não anda, e a moeda não anda porque a cadeia produtiva diminuiu seu ritmo. Estabeleceu-se o círculo vicioso. Um aumento de procura sem a suficiente mercadoria disponível, naturalmente induzirá a uma elevação de preços, sinônimo de inflação. Este o nó que o futuro governo terá de desatar. Porém conter o consumo será empurrar a nação para o abismo, e é isto que tem feito o atual governo. Sem consumismo não há salvação. Criou-se no Brasil o folclore de que consumo acelerado gera inflação. Então, segurou-se a moeda, que, estacionada, ficou cara para quem a busca, beneficiando grandemente os agiotas institucionalizados, por conta dos juros escorchantes.
Sem consumo as fontes de produção desaceleram sua marcha, e o resultado final é uma reação em cadeia operando em sentido contrário. Gastar além do ganho, no fiado e no crediário, gerará inadimplência e a bancarrota do cidadão, mas o consumismo pleno e inteligente é a receita mágica para a sanidade do sistema econômico. Bastará correr o mundo e ver que os povos desenvolvidos são os que consomem em quantidade e também produzem em escala, cada qual segundo as suas tradições e especialidades, e ali não há pobreza e nem inflação. Assim, todos ganham, e também o governo ganha, porque passa a arrecadar mais tributos, e de sua vez realiza mais obras, que proporcionam mais emprego e bem-estar, e mais realimentam o consumo. O próximo governo brasileiro não precisará fazer muito: bastará abrir as cadeias que aprisionam a moeda. O mais o Brasil cidadão saberá fazer.

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