O brasileiro está menos solidário. É o que mostrou a Pesquisa World Giving Index 2015, apontando que o Brasil caiu 15 posições no índice mundial de solidariedade. O estudo abrange 145 países e é um retrato anual sobre o comportamento global de caridade. Despencamos da 90ª para a 105ª posição. Mostrando que ser solidário não depende de riqueza, basta verificar que o país melhor colocado é a ex-colônia inglesa Mianmar, localizada no Sul da Ásia, que tem Produto Interno Bruto (PIB) per capita de pouco mais de mil dólares. A pesquisa mostrou que 92% da população de Mianmar fez doações. Em segundo lugar aparece a maior economia do planeta, os Estados Unidos, com PIB per capita de 53 mil dólares.

No caso de Mianmar, a solidariedade da população se explica pela principal religião praticada, o budismo, que prega entre os seguidores a importância da doação. No caso dos Estados Unidos, a justificativa é cultural. Os americanos são incentivados a participar das soluções dos problemas da sociedade e se engajam em várias causas. Essa característica é comum em outros países anglo saxões. Diferente de países latinos, em que ainda é forte a ideia de que o Estado deve se preocupar em garantir todas as necessidades de seu povo - a doutrina do assistencialismo.

A Pesquisa World Giving é baseada em três perguntas: se o entrevistado fez alguma doação a instituições, se realizou trabalho voluntário ou se ajudou uma pessoa desconhecida no último mês. No Brasil, a divulgação dos dados dessa pesquisa é responsabilidade do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. O resultado brasileiro contraria os indicadores do restante do mundo, que em geral registraram melhora no ranking. O curioso é que somos conhecidos como um dos povos mais hospitaleiros e simpáticos do mundo. Certamente, simpatia não é sinônimo de solidariedade.

O brasileiro está acostumado a ser solidário em condições extremas, por exemplo, quando acontece uma catástrofe natural ou no caso da ajuda a imigrantes que vêm de áreas de conflitos. São respostas a situações específicas. Não se trata de um comprometimento duradouro. É claro que há muitos brasileiros envolvidos em grandes trabalhos voluntários, mas a maioria do povo ainda não descobriu as vantagens de ajudar o próximo de maneira sistemática. Os benefícios do voluntariado vão para os necessitados e para quem ajuda.

Portanto, o Brasil precisa mudar essa cultura. O engajamento da população é importante para a solução dos problemas sociais. São muitos os projetos que precisam de apoiadores e não existe desculpas para o desconhecimento. Em reportagem de hoje da Folha de Londrina, há algumas dicas de programas e instituições que necessitam de colaboração.

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