Às vésperas do plebiscito que decide o futuro da Sercomtel Celular, por desconhecimento ou motivação política, sem respaldo técnico fazem campanha contra a venda espalham pontos de vista que acabam confundindo os eleitores com dados inverídicos.

Estão dizendo que a partir de 2002 a Sercomtel Celular poderá explorar a telefonia móvel celular em outras cidades além de Londrina, migrando para o serviço móvel pessoal. Não é verdade! A migração para o serviço móvel pessoal, que ocorrerá em escala nacional, só permitirá que os celulares recebam ligações vindas de qualquer das bandas em operação na telefonia e que os usuários escolham a operadora que desejarem para as ligações interurbanas.

Essa mudança não permite à Sercomtel Celular ampliar seu mercado, que é restrito a Londrina e Tamarana, pela Banda A, e o que é pior, pode levar os clientes da Celular a realizar ligações interurbanas por outras operadoras, pela simples razão de que os grandes grupos de telecomunicações investem fábulas em anúncios publicitários que chegam a Londrina, enquanto a Sercomtel não tem recursos para investir em anúncios que cheguem a todo território nacional.

A única forma da Celular realmente poder explorar fora de Londrina seria comprar uma banda em leilão promovido pela Anatel, o que custaria à Sercomtel mais de R$ 1 bilhão. Ou seja, é dinheiro demais, que não teríamos, nem temos como conseguir. Entre os contrários à venda tinha gente achando que uma banda custa milhões, e não bilhões. Ou seja, estão brincando com uma realidade que desconhecem.

Os contrários à venda citam que a Sercomtel Celular é uma âncora para a Sercomtel Fixa e tentam sustentar essa afirmação em uma reportagem da revista ''Infoexame'', publicada este mês, onde a Celular aparece entre as maiores do Brasil. Mas não leram atentamente a revista, senão perceberiam que a ''Infoexame'' cometeu um erro gravíssimo, porque comparou, na página 69, a Sercomtel Celular com empresas de computação, sem saber que ela é uma empresa de telecomunicações. Se tivessem sido mais atentos veriam que o ranking das 50 maiores empresas de telecomunicações apareceu na página 64 da mesma revista e lá a Sercomtel nem mesmo aparece (nem a Fixa, nem a Celular).

Por que a revista errou tão feio? Ora, porque a Sercomtel Celular é a menor empresa de telecomunicações do Brasil em área de abrangência e escala de mercado, sendo muito pouco conhecida fora de Londrina e do Paraná. Tanto que foi confundida com empresa de computação. É a prova da dificuldade que enfrentamos para manter-nos no mercado futuro.

Também usam o argumento que a Sercomtel Celular tem 60% dos clientes de celular em Londrina é prova de sua condição de concorrer com as gigantes de mercado. O problema é que estas pessoas não pararam para pensar que a Sercomtel Celular, antes da privatização das telecomunicações, em 1997, detinha 100% da clientela, porque era a única que explorava os serviços.

A Global Telecom, em dois anos e meio, abocanhou 40% do mercado. E desde fevereiro deste ano está mais poderosa, pois foi adquirida pela Telesp Celular, controlada pela Portugal Telecom, que é o grupo com maior capital investido em telefonia celular no Brasil. Imaginemos que a TIM entre em Londrina a partir do ano que vem para também concorrer com a Sercomtel Celular. Vamos estar enfrentando nada menos que o maior grupo de telefonia celular em operação no mundo.

Como a telefonia celular é movida por grandes transformações tecnológicas e novos aparelhos surgem constantemente, oferecendo novos serviços, ganha quem tem condições de vender aparelhos com custo menor. A Sercomtel Celular, quando for comprar novos aparelhos, dificilmente poderá comprar mais de 20 mil de uma vez. Os concorrentes atuando em escala global, podem comprar milhões de aparelhos, obviamente a preços menores. De que forma vamos poder concorrer?

Apenas para mudar do serviço móvel celular para serviço móvel pessoal, no ano que vem, precisaremos de investimentos na casa de R$ 15 milhões, entre a licença e aparelhos. Mesmo que a Sercomtel Celular consiga atingir um lucro líquido anual de R$ 5 milhões (ano passado ficou em R$ 2,2 milhões), teríamos que aplicar nossa lucratividade por anos. Gastando recursos nessa mudança, como vamos poder subsidiar os aparelhos para oferecê-los nas mesmas condições dos concorrentes? Como é que podem afirmar que a Sercomtel Celular vai ser uma âncora para a fixa, quando é evidente que se tornará um peso?

O que se abre em 2002 é o mercado da telefonia fixa, não o da Celular, que tem outro tipo de modelo e de regulamentação. Quem vai poder crescer é a parte da Sercomtel que não será vendida. E para crescer vai precisar de investimentos, senão vai sofrer também os efeitos da concorrência. Queremos vender a Celular para investir na Fixa e na cidade.

Não devemos mesmo temer o futuro, mas para isso temos que ter base na realidade. Vender a Sercomtel Celular e aplicar o recurso em obras que melhorem a qualidade de vida na cidade é a melhor forma de evitar que o valor dessa empresa seja destruído pelo mercado, sem que os londrinenses ganhem nada com isso. É a verdade que nos diz para votar no ''sim''!



- ANDRÉ VARGAS é vereador pelo PT em Londrina

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