Curitiba Jamais passou pela cabeça de Vagner Fidelcino, atualmente com com 31 anos, que o trabalho numa empresa de jato de areia, quando tinha 16 anos, o deixaria inválido. Vagner, que mora em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, contraiu silicose no emprego que ele desconhecia o elevado grau de insalubridade.
Em 1986, quando começou a trabalhar na empresa de jato de areia, Vagner estava cheio de saúde e feliz por ter conseguido um emprego ainda jovem. Ficou entusiasmado pela oportunidade de ajudar sua mãe, separada do pai, e que tinha seis filhos para criar. Atualmente Vagner está doente e mora sozinho numa casa de três peças, no terreno da casa da irmã.
Vagner está com o pulmão quase que totalmente comprometido pela silicose e não consegue trabalhar. Diz que está vivo graças à fé que ele deposita em Deus. Vive de orações e o único lugar que frequenta é a igreja. Recebe R$ 269,00 por mês do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), quantia suficiente apenas para a sobrevivência. Vive se cuidando, principalmente no inverno, com medo de pegar um resfriado ou gripe que pode agravar o quadro clínico de vez. Se adoecer, falta dinheiro para a compra dos remédios, afirma.
A única solução seria um transplante de pulmão, mas trata-se de um procedimento muito difícil de conseguir e Vagner desistiu. O Sindicato dos Metalúrgicos chegou a fazer uma campanha para arrecadar dinheiro para o transplante, mas Vagner não está disposto a esperar por mais de 10 anos numa fila de transplante. Segundo ele, o pulmão é um dos órgãos que primeiro entram em falência, quando a família de um paciente terminal autoriza a doação de órgãos, daí a dificuldade do transplante.
Vagner disse que usava máscara e um avental quando operava a máquina de jatear, mas agora está comprovado que esses equipamentos são ineficazes e que a atividade deve ser proibida mesmo. O seu patrão também não sabia da periculosidade do trabalho. O patrão de Vagner, a mulher e o filho também morreram de silicose.
''Na hora do almoço, a gente dormia em cima das montanhas de areia e brincava com as crianças no mesmo local'', conta sem se dar conta que na época estava prejudicando de forma irreversível a própria saúde. Vagner trabalhou na empresa de jato de areia por um ano e três meses, entre 1986 e 1988. Mas a doença só foi se manifestar há três anos, quando começou a sentir muita dor nas juntas e as pernas ''travaram''.
Foi ao médico e o caso foi diagnosticado como artrite reumatóide. Mais tarde quando começaram as crises de falta de ar e as chapas revelavam um pulmão quase que inteiramente seco, o caso foi melhor investigado, com o levantamento completo dos trabalhos desempenhados por Vagner.

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