Curitiba O governo federal ainda não transformou em lei a resolução assinada em 1997 pelo Conselho Nacional de Saúde que proíbe em todo o território nacional o trabalho com jato de areia, que provoca a silicose nos trabalhadores. Até hoje, somente o Paraná e a cidade de Joinville, em Santa Catarina, proibiram esse tipo de trabalho. Mas no restante do País, centenas de trabalhadores continuam trabalhando com jato de areia, uma atividade de alto risco principalmente para os jovens que ainda estão com seus principais órgãos em formação.
Quem trabalha com jatos de areia ou em ambientes com alta concentração de areia e fuligem no ar, tem grandes chances de contrair silicose, uma doença pulmonar provocada pela inalação de poeira com sílica. A doença é considerada incurável e a única alternativa no momento é o transplante de pulmão. Jato de areia é utilizado por metalúrgicas para retirar pinturas ou ferrugens de máquinas pesadas ou caminhões.
No Paraná, desde 1997 quando os sindicatos começaram a denunciar a silicose como uma doença do trabalho, foram constatados 172 casos, com nove mortes registradas. O Centro Metropolitano de Apoio à Saúde do Trabalhador (Cemasti) constatou 54 casos de silicose contraídos por pessoas em contato com jatos de areia. Desse total, 23 casos estão em fase adiantada da doença, cinco são suspeitos e 26 casos estão sendo acompanhados. Outros 109 casos de silicose confirmados foram contraídos em trabalhos com mineração, cerâmica, fundição, usinagem de metais, funilaria e construção civil, informou o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana.
A luta dos sindicatos é para que o governo federal reconheça a silicose como doença do trabalho e, para isso, tem que haver uma legislação a esse respeito, disse o sindicalista Núncio Manalla. De acordo com Manalla, a Europa proibiu o trabalho com qualquer tipo de jato de areia desde 1942 e o Brasil continua ignorando o assunto.
Um erro grave é o Brasil não computar as mortes de silicose como acidentes do trabalho, apontou Manalla. Segundo ele, até 2000, os ministérios da Saúde, do Trabalho e da Previdência Social vinham computando uma média de 3 mil mortes por ano em consequência de acidentes do trabalho. Manalla discorda dessa pesquisa porque não inclui os silicóticos. ''Só no Rio de Janeiro são 900 casos suspeitos de silicose e não há dados estatísticos destas mortes'', contesta.
O maior problema para compor a estatística, segundo o sindicalista, é a dificuldade de diagnóstico. A doença demora a se manifestar e quando isso acontece o médico associa os sintomas à ocorrência de câncer do pulmão ou tuberculose. ''As equipes médicas demoram muito para diagnosticar casos de silicose'', salienta Manalla. O sindicalista alerta as prefeituras, principalmente no Interior, onde empresas de jatos de areia estão ativas, para que proíbam o funcionamento dessas empresas que ainda atuam de forma clandestina.

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