Silêncio na intimidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de agosto de 2002
Moacir Costa 
O silêncio na intimidade pode ser falsamente interpretado. Na maioria das vezes, é motivo de dúvidas e preocupações; raramente é um silêncio que expressa afeto e bem estar. É o silêncio da inibição, do constrangimento, da preocupação. Acontece muito com as pessoas que apresentam insegurança no seu comportamento sexual.
É comum no homem angustiado, por não ter uma ereção vigorosa ou naqueles em que a ejaculação é muito rápida e na mulher que tem dificuldades em atingir o orgasmo. Mas o silêncio não é uma exclusividade das pessoas que têm disfunções sexuais.
Na maioria das vezes o silêncio tem relação com a timidez, a vergonha de falar sobre desejo e a inibição em manifestar suas fantasias. O casal, às vezes, perde a oportunidade de saber o que ocorre com o outro, prejudicando o aprendizado sexual. Uma palavra, um elogio, algo que possa ser agradável deve sempre ser comunicado ao companheiro, funcionando como um estímulo.
O silêncio ou a falta de conversa na intimidade impede que as pessoas cresçam e que descubram o que é mais importante para o prazer. Quando ocorre uma dificuldade com o homem, principalmente em relação à ereção, a mulher, muitas vezes, fica quieta achando que é desagradável conversar sobre isso. Ela prefere o silêncio por que acha que falando vai causar um constrangimento maior.
É claro que nem sempre é oportuno falar no momento da falha. É importante achar um momento mais apropriado, e não esquecer que o silencio nessas circunstâncias é carregado de dúvidas e incertezas. A baixa da auto-estima é inevitável e um sentimento de tristeza passa a fazer parte do seu cotidiano.
O silêncio também ocorre entre pessoas que estão vivendo uma situação confortável e tranquila. Ainda existem mulheres que acham que demonstrar interesse ou falar sobre o prazer não é uma coisa apropriada para pessoas educadas em bases religiosas e 'bem comportadas'. O mesmo ocorre com certos homens.
O casal deve desfrutar da liberdade entre quatro paredes. Na intimidade, lentamente vão descobrindo o que é mais estimulante, prazeroso e normal para eles. Aliás essa questão do que é normal ou anormal é motivo de dúvidas constantes. Anormal é aquilo que traz constrangimento, angústia ou mal-estar. O casal tem de descobrir na sua convivência, quais são os caminhos e as formas que levam ao prazer, respeitando-se mutuamente sem cobranças e sem fazer com que um se submeta aos impulsos e às necessidades do outro.
A conversa franca e descontraída, provoca um clima de euforia e excitação que é fundamental para a satisfação na intimidade. O sexo deve ser visto sempre como um parque de diversão e jamais como um campo de batalha.
Dr. MOACIR COSTA médico psicoterapeuta. Autor do livro 'Vida a dois' Editora Mandarim
Serviço: Caso tenha dúvidas sobre 'Sexo', ligue para: 0800-770-6543 (São Paulo, gratuitamente), de 2 a 6 feira, das 10h às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais entre no site: www.projetoamarbem.com.br


