Israelenses e palestinos aceitaram ontem a proposta feita pelo presidente dos EUA, George W. Bush, para levantar o cerco ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Iasser Arafat, em seu quartel-general em Ramallah (Cisjordânia), em troca da guarda internacional dos acusados de matar um ministro de Israel.
Porém, ao mesmo tempo, os israelenses decidiram impedir que uma missão da ONU investigue o que aconteceu na ofensiva ao campo de refugiados palestinos de Jenin (Cisjordânia).
Já Arafat estaria pretendendo que a permissão para sua livre circulação estivesse vinculada ao fim do cerco à igreja da Natividade em Belém, segundo disse para a agência de notícias France Presse Nabil Abu Rudeinah, assessor do líder palestino. No local, cerca de 200 palestinos, muitos deles armados, e 50 clérigos estão cercados por forças israelenses. Os palestinos esperam que o cerco a Arafat seja levantado amanhã.
A proposta de Bush prevê que as forças israelenses deixem o quartel-general de Arafat, permitindo que ele possa voltar a se locomover pelos territórios palestinos. Em troca, os palestinos devem deixar seis homens procurados por Israel sob custódia de norte-americanos e britânicos em uma prisão palestina. O fim do cerco à igreja da Natividade não está previsto na proposta.
O cerco ao quartel-general se iniciou no dia 29 de março, no início de ofensiva de Israel em resposta a atentados contra israelenses. Porém Arafat está confinado em Ramallah desde de dezembro.
Bush classificou a decisão de Israel e de Arafat como ‘‘esperançosa e construtiva’’ e disse que os EUA estavam trabalhando com os dois lados para implementar o plano. Os norte-americanos e britânicos que farão a guarda dos palestinos procurados por Israel devem chegar a Ramallah amanhã.
Um comunicado da Casa Branca afirmou que Bush conversou por telefone com o premiê de Israel, Ariel Sharon, ontem para tentar resolver o problema.
Israel exigia a entrega dos seis homens procurados, entre eles os responsáveis pela morte do ministro de Turismo, Rehavam Zeevi, como condição para levantar o cerco a Arafat.
Uma corte militar palestina, formada dentro do complexo onde está Arafat, condenou na semana passada os responsáveis pelas mortes a penas que variam de um a 18 anos de prisão. Fuad Shubaki -suspeito de envolvimento no episódio do barco Karine A, em janeiro deste ano, que contrabandeva armas para os palestinos e foi interceptado por Israel- também ficará sob custódia de norte-americanos e britânicos.
A Frente Popular pela Libertação da Palestina, que reivindica a responsabilidade de ter matado o ministro israelense em resposta à morte de um de seus líderes, pediu a Arafat que rejeitasse o plano do presidente dos EUA.
Ainda não está definifo quando homens procurados por Israel serão transferidos para a prisão.

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