Sexo virtual
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 2003
Moacir Costa 
A cada dia é maior o número de usuários da Internet, assim como vem aumentando o número de pessoas que se relacionam por intermédio da rede mundial de computadores. Muitos procuram o mundo cibernético em busca de conquistas amorosas e ou do sexo sem compromisso.
Mas será que isso é uma prática exclusiva dos adolescentes? Sem dúvida, a maioria dos internautas é formada por jovens, pois eles são movidos tanto pela necessidade como também por simples curiosidade. Contudo, existem muitos adultos que passam as noites navegando nos chamados chats, participando de grupos de sexo, conversando sobre temas que não conseguem dividir com sua companheira.
As chamadas relações virtuais começam a fazer parte da vida daquelas pessoas que não têm uma vida social muito ampla, vivem exclusivamente para o trabalho ou apresentam outras dificuldades pessoais. Trata-se do jovem mais tímido ou daquele adulto retraído que não possui um parceiro fixo ou tem um relacionamento fracassado.
Essas pessoas mais fechadas, com maiores problemas afetivos, aproveitam o fato da Internet ser um meio de comunicação à distância para superar a inibição. Via computador elas podem estabelecer um contato de amizade ou até um relacionamento com intenções sexuais sem precisar se revelar. Podem manter o anonimato e até tentar passar uma imagem bem diferente da realidade, o que facilita o seu contato com outras pessoas. Nas salas de bate-papo podem arrumar um parceiro, começando então a superar seus temores e inseguranças, conseguindo uma certa autoconfiança.
Nesse sentido, pode-se afirmar que a Internet ajuda as pessoas a encontrar seu par, fazer amigos, colocar para fora suas emoções, funcionando como uma espécie de ''estágio'' preparatório antes de partir para um encontro real e não apenas virtual, no qual seja possível conversar olho no olho e se tocar de verdade.
Na Internet, ainda acontece algo curioso: aqueles que são casados ou têm um compromisso com alguém não consideram sexo virtual como uma traição. São amantes efêmeros, capazes de estratégias cada vez mais naturais e eficientes para preservar as escapadas em silêncio. A maioria acredita que a iniciativa não pode ser recriminada. Fazem do computador o esconderijo perfeito que lhes permite dar asas à imaginação.
Divergências à parte, não há como negar que se trata de uma face nova da sexualidade humana que certamente tem consequências na vida real. Ainda existe muito preconceito, mas é importante reconhecer que o relacionamento virtual pode ser o primeiro passo para um encontro definitivo. Além disso, muitas vezes o sexo virtual pode ajudar a pessoa a estimular sua fantasia e um poder de sedução que futuramente serão bastante positivos para os relacionamentos na vida real.
A constatação nos consultórios é que tem crescido o número de casais que se conheceram através da Internet e formando parcerias interessantes, tornam o virtual cada vez mais real.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''Vida a dois''


