Sexo: cigarro nem antes nem depois
Sempre se falou muito abertamente que o álcool, a maconha e a cocaína, com o tempo, levam às disfunções sexuais. Mas o cigarro, por ser de uso cultural difundido, um traço de auto-afirmação principalmente nos jovens, acabou sendo aceito como ''hábito social'' ou uma dependência tolerada pela sociedade.
As pesquisas científicas alertam amplamente sobre os riscos de problemas respiratórios e de câncer de pulmão, mas pouco se fala sobre a função sexual. Há ainda muito preconceito, talvez até porque os próprios pesquisadores dessa área sejam fumantes.
Uma das primeiras observações médicas na área da sexualidade, foi realizada pelo Instituto H. Ellis em 1991, quando foram avaliados 16 homens que apresentavam disfunção erétil de fundo emocional. Eles não tinham nenhum comprometimento orgânico, mas todos eram fumantes. Foi pedido a eles que não fumassem durante três horas antes do teste de aplicação de papaverina no pênis, na dosagem de 0,5 a 0,8 ml, e todos, após alguns minutos, apresentaram ereções extremamente vigorosas, por mais de uma hora.
Após duas semanas, repetiu-se o mesmo teste com aplicação de papaverina, e solicitado que esses mesmos homens fumassem dois cigarros meia hora antes de receberem a injeção no pênis. Desses 16 homens, oito não obtiveram ereção vigorosa. Isso não é conclusivo, mas o efeito vasoconstritor da nicotina, do alcatrão e de outras substâncias, leva a algum comprometimento vascular, ou seja, a ocorrência de menor irrigação do sangue na área pélvica, e como consequência uma dificuldade de obter e manter ereção.
Gostaria de enfatizar que o cigarro tem uma ação claramente vasoconstritora comprometendo o sistema circulatório e as artérias de menor calibre da região peniana: a ereção fica frágil e não se mantém. Além disso, o cigarro provoca grande excitação no sistema nervoso central, mantendo um estado de tensão permanente, onde são observadas com frequência reações de intolerância e irritabilidade acentuadas, e que são totalmente incompatíveis com a vida afetiva e a necessária espontaneidade para um bom relacionamento sexual.
É importante lembrar que os indivíduos mais idosos portadores de processo átero-esclerótico, além da hipertensão arterial, devem abolir o cigarro com urgência, pois ele compromete o funcionamento cardiovascular e consequentemente a saúde com repercussões na sexualidade. Podemos falar hoje com alguma tranquilidade que o cigarro gera uma dependência semelhante a outras drogas e debilita o sistema imunológico levando a doenças e na maioria das vezes está associado ao uso do álcool, o que agrava essa dependência.
A repercussão na área sexual é só uma questão de tempo. É oportuno procurar preventivamente o seu médico.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta, autor do livro ''Sexo: o dilema do homem''.





