Setor público contratará 60 mil em 2006
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domingo, 19 de fevereiro de 2006
Raquel Bocato<br>Folhapress 
Este é o semestre dos concursos: um grande número de seleções estará concentrado até junho, afirmam especialistas.
A explicação é simples: em ano eleitoral, as instituições públicas das esferas estadual e federal não podem fazer nomeações de novos funcionários nos três meses anteriores ou posteriores ao dia de votação. Ou seja, a partir de 1º de julho, os órgãos que não tiverem seus concursos homologados não poderão contratar profissionais até o começo do ano que vem.
Só fogem à regra as instituições da alçada municipal, pois o pleito para prefeitos e vereadores acontecerá apenas em 2008.
Nessa corrida contra o tempo, o governo federal já deu a largada e anunciou a contratação de cerca de 20 mil pessoas em 2006.
A previsão é que sejam criadas, ao longo do ano, cerca de 60 mil vagas, incluindo as instituições federais, estaduais e municipais, segundo coordenadores de cursos preparatórios para concursos.
''No ano passado, fizemos 80 concursos. Só neste ano, já temos 40 em andamento'', compara o diretor-geral do Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB), Mauro Rabelo. A entidade é responsável pela seleção de profissionais que trabalharão, por exemplo, na Embrapa e no Ministério do Desenvolvimento.
Não é apenas o número de vagas que aumenta - cresce também a concorrência. ''Fizemos uma seleção para a Câmara Legislativa do Distrito Federal em que houve mais de 2.000 candidatos por vaga'', diz Rabelo.
Cuca quente - A dentista Andrea Thais da Costa, 28 anos, passou por um pente-fino. Após prestar um exame com 18 mil candidatos, conseguiu um posto no governo paulista.
Para destacar-se na seleção, no entanto, adotou rotina espartana de trabalho e estudos. ''Valeu a pena, pois queria uma carreira que me desse bom salário e me proporcionasse estabilidade'', diz.
Pelos cálculos de José Luis Romero Baubeta, da Central de Concursos, candidatos a uma vaga que exige ensino superior completo devem se planejar para conquistar o cargo a médio prazo. ''É preciso estudar quatro horas diárias durante um período de um ano e meio a dois anos.''
Para cargos de nível médio, a sugestão é que o profissional empenhe-se de seis meses a um ano. No entanto, Baubeta não aconselha o candidato a largar o emprego nesse período. ''É muita pressão psicológica'', opina.
Mesmo mantendo trabalho e estudos em paralelo, o delegado da Polícia Federal Anderson Souza Daura, 36 anos, passou em 9 concursos dos 20 que prestou desde 1985.


