Setor de tintas: recuperação a médio prazo
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Dílson Ferreira 
O setor de tintas, que teve uma expansão de 13% no primeiro trimestre de 2001, deverá fechar o ano com crescimento de 2% em relação a 2000, devido a fatores como o aumento da taxa de juros, a forte desvalorização cambial, a queda dos investimentos, a crise energética e a guerra no Afeganistão.
Em abril deste ano, os cenários político e econômico já apresentavam sinais de alteração em relação às expectativas do ano passado, indicando um crescimento não superior a 4%. Agora, por fatores internos e externos, o quadro mudou ainda mais.
As crises externas causaram diminuição do nível de atividade de praticamente todos os principais setores da economia, entre os quais está o de tintas. Mas a atual crise não chega, ainda, a ser uma recessão. Esse processo é cíclico e deveremos ter uma recuperação a médio prazo. Os principais impactos são a redução de investimentos e a queda na demanda por produtos importados. O setor de tintas ainda exporta apenas cerca de 10% de sua produção, portanto, o reflexo em nossos negócios deve ser mínimo.
Além do impacto direto, esses fatores afetaram a indústria de tintas também indiretamente ao comprometer o desempenho de importantes setores produtivos como a construção civil, indústria automotiva e a eletroeletrônica, seus principais clientes.
As fábricas de tintas enfrentam essa situação com o aprimoramento de seus processos produtivos, da competitividade, do nível de serviço e lançando novos produtos para atender as necessidades dos mercados consumidores. E ainda superaram a crise energética.
Além disso, a crise da Argentina ainda é um impasse. Mas já há sinais de que a economia brasileira está superando esse problema. Antes disso, as autoridades econômicas brasileiras e os empresários já vinham tomado medidas acauteladoras para minimizar as consequências do reajuste econômico argentino.
Tudo isso contribuiu para amenizar os problemas, mas eles não foram completamente eliminados. A margem de lucro se estreita por causa dos aumentos de custos, das dificuldades de absorção do mercado e da proliferação dos produtos de baixa qualidade, incentivados pela atratividade da informalidade.
Mas isso proporciona à cadeia produtiva da indústria de tintas a possibilidade de dar uma grande contribuição para o futuro de seus negócios, participando mais ativamente das campanhas de combate à sonegação e à falsificação, realizadas pela Abrafati Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas.
Além disso, nosso setor pode trabalhar com os fornecedores para fazer repasses graduais de custos, causados pela dolarização da matéria-prima importada, que varia de acordo com o tipo de tinta fabricada. Por exemplo, na imobiliária, o efeito da dolarização sobre os componentes é de 30% e na automobilística é de 80%.
Para superar essas e outras dificuldades, o setor de tintas pode criar em conjunto com seus clientes, parceiros e fornecedores programas para desenvolver produtos adequados para atender as necessidades atuais.
Isso pode ser realizado em parceria com setores como os de material de construção e construção civil, o que criaria mais empregos e reduziria o déficit habitacional. Para tanto, é fundamental o governo reformular sua política de recursos para a habitação, priorizando a liberação de crédito para os segmentos de baixa e média renda.
Também seria importante a criação e o desenvolvimento de um programa para a indústria automobilística exportar mais, o que poderia contribuir para manter os níveis de sua produção ou, pelo menos, evitar que ela fosse muito abalada.
- DÍLSON FERREIRA é presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati)


