Setor de fiação tem indústria modelo: cumprimento na íntegra
A fiandeira de longos cabelos pretos Cláudia de Paiva Pereira, 18 anos, que teve um encurtamento de dois centímetros na perna direita há quatro anos, mal sabe que a companhia onde trabalha desde o ano passado, a Fiação de Seda Bratac, é uma empresa de destaque entre as 118 organizações com mais de 100 funcionários nos quadro funcionais de Londrina. Cláudia não esquece o atropelamento que sofreu em 1999.
Hoje, a Bratac é a única que cumpre integralmente a obrigatoriedade legal que as empresas têm em preencher de 2% a 5% os seus postos de serviço com pessoas portadoras de deficiência (PPD). Não somente por força da lei, a indústria fundada em Bastos (SP), na década de 40, contrata PPDs.
Antes mesmo do surgimento do artigo 93 da Lei 8.213, de 1991, a empresa já tinha pessoas com deficiência em seu quadro funcional, como o auxiliar de serviços gerais Teodoro Marques da Silva, que possui deficiência mental, e o operador de caldeira Wilson Pereira Ramos, com problema auditivo. Com 494 funcionários, a Bratac responde hoje por uma cota de 3% na admissão de PPDs.
Trabalhando desde o ano passado no setor de produção, Cláudia reconhece que nunca passou por nenhum constrangimento na Bratac. Porém, ainda não aceita o encurtamento da perna e reclama com Deus o que a vida lhe reservou. ''Choro muito'', admite a garota que há quatro anos foi atropelada por um táxi na Rua Maria Gaspar Picone, no Bairro Maria Cecília, e ficou oito meses com gesso.
A supervisora Viviane de Fátima Prenzler e as colegas de trabalho não percebem a anomalia. ''Seu desempenho é perfeito. Ela trabalha de pé como as outras fiandeiras'', diz a assistente de Recursos Humanos Kelly Yamazi. Confiar na orientação dada pela psicóloga Alessandra Mie Taketomin, durante a integração do funcionário recém-contratado na Bratac, ainda é uma dúvida para Cláudia. ''Todos têm limitações e diferenças, mas isto deve ser respeitado'', afirma a psicóloga.





