A Viação Garcia é a única grande empresa de Londrina que sobreviveu ao tempo e às dificuldades e chegou aos setenta anos de existência, comemorados neste mesmo 2004 em que o município celebra idêntica idade. É fato de relevância a celebração paralela de setenta anos de emancipação política desta hoje metrópole e setenta anos de atividade ininterrupta de uma empresa, nesta cidade de crescimento veloz e quase incontrolado e pródiga em lances de aventura, pioneirismo, perseverança, e também de naturais recuos e alguns fracassos, porque é assim que a história se faz. Quando, em 1934, a Viação Garcia foi instalada, o pioneiro espanhol Celso Garcia Cid já transportava passageiros pelas estradas barrentas, com sua 'jardineira' precursora, até que resolveu trilhar por caminhos mais longos e fundou a empresa, com o alemão Mathias Heim, este mais tarde vendendo sua parte a outro espanhol, José Garcia Villar. As nacionalidades são mencionadas porque naqueles anos chegava a esta região gente oriunda de distantes países, principalmente da Europa, mais a numerosa legião dos asiáticos do mais distante ponto do planeta, o Japão. Hoje os descendentes de Garcia Cid e de Villar é que comandam a empresa, que tem 540 ônibus e 2.544 empregados, opera em 160 cidades do Paraná e dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, transporta mais de 1 milhão de passageiros/mês e percorre, no mesmo período, 4,7 milhões de quilômetros. Além de celebrar sete décadas de existência, a Viação Garcia veio em contínuo crescimento e modernização e é no momento detentora do primeiro lugar no ranking de satisfação de passageiros, pela pesquisa da Agência Nacional de Transporte Terrestre, que ouviu nada menos que 74 mil usuários. Empresa de característica familiar, a Viação Garcia tem sido comandada pelo mesmo espírito de arrojo e fé inabalável que guiou Celso Garcia Cid desde o período mais crítico de sua jornada em terras norte-paranaenses. Imigrante vindo de região pobre da Espanha e em tempos de pobreza geral em todo o Velho Mundo, ele encontrou na terra nova o habitat natural para a sua têmpera. Soube cercar-se de bons ajudantes em todas as suas grandes tarefas, e não se limitou ao negócio do transporte de passageiros mas incursionou pela pecuária de alta linhagem, trazendo para o Brasil os zebuínos de raça da Índia, uma intrépida aventura que resultaria no povoamento do gado Nelore, Gir e Guzerá hoje existente no Brasil. Os nomes da Viação Garcia e Londrina são relevantes na história da região, e não apenas por coincidência de idade mas por um idêntico ideal e um predeterminismo que haveriam de marcar empresa e cidade.

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