Nenhuma novidade nisso. Também nenhum fato novo de vez que, justamente, nas estatais é onde ocorre o maior questionamento de parte da população brasileira quanto à corrupção e ao alojamento político de apadrinhados sem a necessária qualificação técnica pertinente para a assunção das funções.

Normalmente, tais apadrinhados também compõem a moeda de troca a fim de se ajustar à engrenagem política cujo beneficiário, na minha ótica, é o mandatário maior. Sempre em busca de acertar os apoios políticos que lhe interessem.

Muito tem sido afirmado que "partido político que não tem quadros não pode aspirar ao poder". Mas o poder maior precisa de apoios de natureza política. Disso, resulta a necessidade de assegurar a própria governabilidade.

Como a maioria dos partidos políticos, via de regra, não possui quadros, mas sim apenas filiados em número suficiente para atender à legislação eleitoral que assegure a existência da legenda, a solução tem sido o atendimento aos aparentados, aos amigos, quando não aos próprios "donos" dos partidos que, via de regra, assumem tais funções sem a imprescindível qualificação técnica.

Estou equivocado nessa afirmação? Inegavelmente, ao que sempre me pareceu, em cada partido político existe um núcleo, composto de interessados, que administra e toma conta do mesmo pois isso lhes interessa. Mesmo perdendo as eleições. Ao que me consta, muitos desses partidos políticos nunca se interessaram pela disputa majoritária, pois as coligações lhes atendem melhor. A simples eleição de um vereador, um deputado ou congressista os satisfaz.

Com isso, a moeda de troca que lhes permite reivindicar muitos cargos na administração. Até mesmo na composição dos conselhos das estatais, onde a parte econômica muitas vezes é mais interessante que o próprio exercício da função técnica administrativa. Daí, o atendimento aos seus propósitos.

Ao administrador maior, apenas interessa a composição política no Legislativo. Ainda que seja por apenas poucos votos a mais que os oposicionistas. Em muitos casos, até do Judiciário. De forma alguma o Executivo pode exercer uma boa administração, tranquila e que, ao mesmo tempo, lhe assegure a governabilidade. No linguajar popular italiano, é "mangiare questa minestra o saltare quella finestra". Daí, os desvios de qualificações a que temos assistido em todos os níveis de governos (municipais, estaduais e federal).

Inegavelmente, tem sido visível a toda a população brasileira essas discrepâncias. A maioria deseja que as empresas estatais sejam preservadas. Principalmente, a classe política. Porém, a que custo? Trata-se de um fato ainda de longa duração.

Por que não iniciarmos uma campanha intensa para que o próximo administrador maior exija de seus aliados políticos seriedade, competência, qualificação para assunção do cargo pleiteado nessa negociação? Isso poderia valer já para as próximas eleições.

Da forma como tem ocorrido, esses costumeiros procedimentos de parte do administrador eleito, com vistas a sua própria governabilidade, não interessam à população. Muito menos aos eleitores que chegam a brigar na defesa dos seus candidatos. Seriedade maior. É o que pedimos. Afinal, o eleito é o resultante dos votos da maioria da população, que sempre se manteve a favor do presente posicionamento.

JOSÉ PEDRO DA ROCHA NETO é engenheiro civil em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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