Sessenta mil contratos sem licitação
Sessenta mil contratos sem licitação na Petrobras é um número espantoso e irá transformar-se no foco central de nova temporada de difusão de escândalos. Isto está na mira da CPI que acaba de ser instalada e que não se sabe se prosperará pela sua própria formatação. Já se imagina que muita coisa viscosa comece vir à tona quando tiver início a prospecção das verdades, e já se sabe que o Governo e suas alas no Senado tudo farão para esvaziar as investigações.
A dúvida sobre o sucesso da CPI é por causa dessas poderosas forças que conspirarão contra ela em seu próprio ventre. Se nada houvesse a temer não haveria tanto empenho em abafar o que se supõe escondido naqueles contratos e em outras denúncias. Projetos de políticos petistas favorecidos pela estatal estão no pacote, e por esta e por outras não se sabe como irão portar-se o presidente da CPI, o senador pelo Amazonas João Pedro, um petista, e os governistas que compõem a CPI.
Vários deles tiveram o desplante de declarar publicamente que, não tendo havido a possibilidade de evitar a instalação dessa comissão de inquérito, a fórmula será dificultar o mais possível o seu andamento. Um personagem importante entra no rol dos investigados: ninguém menos que o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (e também presidente no Brasil do Banco Santander), Fábio Barbosa. Porque ele, como membro do Conselho de Administração da Petrobras (e por norma recebendo remuneração pela função) sempre teve acesso a informações privilegiadas e valiosas para os especuladores do mercado financeiro. A estatal é um minigoverno dentro do próprio Governo, pelo seu gigantismo, e sempre desfrutou do privilégio de agir livremente e nunca ser investigada. Explica-se o temor do presidente Lula pela erupção dos fatos denunciados e que ganharão amplitude com o andar da CPI. Em época já considerada pré-eleitoral, isso não é coisa boa para as pretensões do Presidente de fazer o sucessor extraído das fileiras do PT, no caso Dilma Rousseff.
Escândalos no sistema governamental já são rotineiros, não constituindo novidade para a população. E também se sabe no que as CPIs resultam. Mas o que transtorna é o povo tendo de viver em constante estado de agressão por causa dessas afrontas, e também porque questões relevantes para a vida nacional vão sendo postergadas. Mal um escândalo irrompe, outro começa, porque a qualidade do tecido político (ressalvadas as exceções) é péssimo. Sem limpar esse campo, tais tormentos não cessarão.





