Se ainda existe 1 bilhão de pessoas no mundo passando fome e no total 2 bilhões ganham menos de 2 dólares ao dia, os direitos humanos estão longe de existir para elas. A fabulosa soma de pessoas nestas condições representa mais de um terço da população terrena, que já se aproxima dos 7 bilhões. Estes números não são aleatórios mas fornecidos pela Organização das Nações Unidas, no momento em que se celebra o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  Os últimos relatos revelam que 4 bilhões de pessoas não têm acesso à Justiça, e muitos padecem de tortura, mesmo em nações democráticas, sem falar-se do drama torturante da escassez alimentar e dos maus atendimentos de saúde. No entanto, países ricos, médios e pobres gastam fortunas em arsenais de guerra e na manutenção faustosa dos próprios governos. O artigo 1º da Declaração diz que todos são iguais em dignidade e direitos e que devem agir com espírito de fraternidade na relação uns com os outros.
  Afirma-se ali que todos têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, e que ninguém será mantido em escravidão ou servidão. Mas se o volume da escravidão clássica diminuiu grandemente no mundo, as privações a que enorme contingente está condenado não é outra coisa senão submissão escrava. Um dos artigos da Declaração afirma que todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão, mas sabe-se que tal direito é apenas relativo. Um item nunca efetivado na prática é o que diz que todo homem que trabalho tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana. Nem a remuneração é justa e nem a dignidade humana prevalece, e isto comprova-se pelos milhões de subnutridos e de assalariados de 2 dólares/dia. Também não funciona plenamente a boa intenção assinada de que o homem e sua família têm direito ao bem-estar, à alimentação, à habitação, a cuidados médicos e a serviços sociais indispensáveis. Mas o mesmo documento declara que o homem também tem deveres para com a comunidade, e a grande maioria não leva isto a sério.
  A Declaração Universal dos Direitos Humanos não é uma lei e apenas um consenso registrado em papel, mas entre seus fundamentos e a realidade há um fosso profundo. Se o mundo veio aperfeiçoando tecnologias e o trabalho se tornou mais leve para todos, os 60 anos depois da assinatura da Declaração não melhoraram a vida de vasta legião de pessoas. O Brasil não fica fora da avaliação da ONU, que enumera uma listagem de direitos que são violados no País.

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