O cidadão atrás do guichê está tenso. O massacre diário e as poucas perspectivas atormentam o funcionário público. Nos meios de comunicação, ele é execrado. As matérias e opiniões lhe atribuem a responsabilidade pelas mazelas nacionais. O déficit nas contas públicas é culpa dele. O rombo na Previdência foi causado por ele. O dia 28 de outubro, dedicado ao funcionário público, deveria ter sido comemorado, louvando-se o avanço e a modernização da administração pública. Mas, lamentavelmente, não foi um dia de festa. Foi um quase-luto. O cidadão está amargurado.
O brasileiro que ingressou no serviço público através de concurso, sofrido e batalhado, logrando êxito de buscar remuneração razoável para manter sua família, além da estabilidade, está vendo seu mundo desmoronar. Ele anda angustiado pelos corredores da repartição. Só se fala em demissões, cortes e arrocho. Como se não bastasse, os funcionários da União amargam 1.396 dias sem um tostão de reajuste. Outros, em algumas prefeituras e governos estaduais, não recebem há meses.
Acrescente-se que, durante os últimos quatro anos, tudo, mas tudo mesmo, a não ser o arroz, o feijão e o frango, subiu de preço. Alguns itens, em mais de 100%. Mas seu salário só minguou. Cortaram sua licença-prêmio, seu direito a ‘‘vender’’ um terço de férias, rubricas do seu contracheque desapareceram. Agora anunciam aumento do desconto mensal em mais de 40%. Sem falar na CPMF.
Pior é a situação dos que se aposentaram, após décadas atrás de guichês e escrivaninhas. Anuncia-se o retorno do desconto para a Previdência e um confisco nas aposentadorias acima de R$ 5 mil.
E este cidadão carrega nos ombros o peso da culpa pela falência do Brasil. Ninguém fala que ele faz jus ao cargo que ocupa. Ninguém diz que ele paga Previdência sobre tudo o que ganha. Só falam em privilégio. E cobram, cortam, ameaçam. Esquecem que ele é um brasileiro que optou por servir ao Brasil e ao seu povo. Um cidadão que veste a camiseta, que sabe a importância do seu trabalho e que tem consciência que seu patrão é a sociedade que o remunera. Pobre servidor público que teve seu dia (s)em festa.
- VILSON ANTONIO ROMERO é jornalista, fiscal do INSS, presidente da Associação Gaúcha dos Fiscais de Previdência e Conselheiro da Associação Riograndense de Imprensa

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