Serviços públicos inflacionando custos
O Governo estimula a manutenção de juros altos para não favorecer o crédito fácil e assim diminuir o consumo, visando por essa via conter a inflação, mas eleva o custo dos bens e serviços públicos. Já pelo segundo mês consecutivo isso acontece. Os combustíveis puxam os aumentos. Em Curitiba e Londrina, as duas maiores cidades do Estado, a gasolina atingiu nesta semana o elevado custo de R$ 2,40 o litro, em média, e em alguns postos já beira os R$ 2,50. A Petrobras precisa repassar o custo da farra da propaganda acintosa e inútil. E mais aumentos estão previstos para o último trimestre do ano: pedágio e água e esgotos. No mínimo uma incoerência da política antiinflacionária governista, ou então há um equívoco sobre o que se entende por inflação. Porque aumento de preços implica em redução do poder que a moeda tem na compra de produtos e serviços, significando perda por parte do consumidor, cujos salários e ganhos não crescem na mesma proporção. O reajuste de 10% já autorizado pela Petrobras, para as refinarias, irá provocar aumentos em cadeia, pois os combustíveis têm relação direta com o custo das mercadorias. E propiciam enganos como o de um transportador autônomo citado ontem em texto deste Jornal que já fixou aumento de seus fretes em iguais 10%, porque não sabe fazer o cálculo de quanto o combustível incide no porcentual de custo de seu negócio. O Governo monitora a manutenção do juro alto, para atender às suas políticas de combate à inflação embora se autopuna (em verdade punindo o povo pela elevação da conta de juros da dívida interna); tenta monitorar o impulso da população para o consumo, e assim imagina frear a inflação, mas não monitora os custos dos serviços que estão sob sua administração, aí entendidos serviços, tarifas e impostos em geral. Naturalmente, faz aquilo que lhe convém. Na próxima semana a Receita Estadual ainda vai estipular a nova pauta do ICMS e, por isso, o preço dos combustíveis pode subir ainda mais. O povo está cansado de todas essas coisas e se manifesta como o cidadão que, certamente descrente das instituições, desabafa a este Jornal quando diz que o Governo quer tanto dinheiro ''para pagar o mensalão''. O estado de ânimo dos cidadãos revela-se na indignação e no deboche amargo e sentido, e com justificada razão. Porque, não bastasse a corrupção, o Governo não adota coerência em sua política pretensamente antiinflacionária. Não há uma diretriz, porque os preços de seus serviços e dos impostos nunca baixaram, mas ao contrário, sempre vieram subindo, como norma rotineira.





