Lideranças têm que desenvolver competências na área da gestão
As agências reguladoras foram criadas para mediarem as negociações




Até algum tempo atrás os hospitais eram poucos, senão únicos principalmente em pequenas cidades. Os médicos também eram em número reduzido e ''passavam'' de pai para filho, os chamados médicos de família. Hoje, a realidade é outra. As clínicas são altamente especializadas e oferecem os mais modernos exames e tratamentos. Os hospitais se assemelham muitas vezes a hotéis de luxo. As propagandas sobre tais empreendimentos se multiplicam e os profissionais de saúde precisam também se especializar em gestão, a fim de se manter no mercado.

Mas e os pacientes, como ficam? Alçados à condição de clientes, será que houve mudanças na relação com os médicos? Adriana Maria André é coordenadora do MBA Executivo em Saúde da Fundação Getúlio Vargas e está em Londrina para o Workshop ''Gestão em Saúde: Para que? Por quê?'' e responde essa e outras questões.

A concorrência acirrada entre clínicas, laboratórios e hospitais beneficia o paciente? De que forma?
Em qualquer organização seja ela do segmento de saúde ou não a alta competitividade leva a busca contínua pela melhoria do serviço prestado. No que tange às organizações de saúde não só a qualidade da assistência como o investimento em novas tecnologias, o desenvolvimento dos profissionais e a revisão dos processos internos são itens que passaram a receber a atenção redobrada por conta disso. Dessa forma o paciente/cliente/usuário se beneficia, assim como a própria organização que consegue fidelizá-lo.

Qual a importância da boa gestão para os estabelecimentos especializados em saúde?
O conhecimento técnico específico na área sempre foi e é valorizado. No entanto, quando pensamos no estabelecimento de saúde como uma estrutura cada vez mais complexa, as pessoas que estão na liderança precisam desenvolver competências na área da gestão, pois as decisões deverão ser tomadas dentro de um cenário mais abrangente.

Por conta da concorrência acirrada os interesses do paciente podem ficar em segundo plano? Como evitar isso?
As agências reguladoras foram instituídas para mediarem tais interesses e negociações. Dessa forma, a concorrência somente ajuda a assegurar que os interesses dos pacientes com suas peculiaridades sejam assegurados, pois os serviços de saúde mais bem preparados estarão mais aptos a negociarem seus custos com as fontes pagadoras. Consequentemente as fontes pagadoras também irão buscar a profissionalização de forma a manterem ou buscarem novas fatias desse mercado.

O marketing em saúde é mais cuidadoso? Como isso é fiscalizado?
Marketing é diferente de propaganda. Quando falamos em marketing na área de saúde, falamos que cada um dos envolvidos no atendimento do paciente, desde sua admissão até a sua alta, retratará a imagem desse serviço. O usuário/paciente/cliente hoje é mais bem informado, conhece o Código do Consumidor, sabe dos seus direitos e tem por hábito pesquisar antes de procurar atendimento. A propaganda enganosa acaba sendo combatida por meio da pesquisa e do chamado marketing ''boca a boca''.

Como fica a relação ''médico X consumidor'' em vez da ''médico X paciente'', já que hoje ocorre a mercantilização do serviço médico?
Como em toda e qualquer área existem os bons e maus profissionais, existem as boas escolas e as escolas médicas que deixam a desejar. Cabe ao paciente/cliente/usuário avaliar que tipo de atendimento ou assistência ele está recebendo e decidir se ele deve ou não voltar a esse profissional ou serviço.

Com essa relação de consumo não há mais riscos de processos por erro médico, já que são pessoas mais acostumadas a consumir e a exigir qualidade?
Sem dúvida. Os problemas ou intercorrências acontecem não só por falha no atendimento ou na decisão da forma de tratamento escolhido pelos profissionais, mas também porque cada organismo reage de maneira própria em situações às vezes similares e isso pode levar a fatalidades que fogem ao poder de controle e decisão. O que precisamos buscar sempre é o aprimoramento para prestarmos a melhor assistência possível dentro de cada caso.

SERVIÇO
■ O workshop será realizado hoje, das 19 às 23h, na ISAE/FGV - R. Prefeito Faria Lima, 400. - Jd. Maringá. Inscrições: [email protected] ou (43) 3306-7706. Levar 1Kg de alimento não perecível.

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