Serra deve deixar governo antes da reforma ministerial
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Brasília - A reforma ministerial que vai liberar os ministros candidatos às eleições gerais de outubro só vai ocorrer às vésperas do dia 5 de abril, quando vence o prazo de seis meses de desimcompatibilização previsto na lei eleitoral. Somam 14 os ministros políticos que habitam hoje a Esplanada dos Ministérios e apenas um ficará fora deste calendário. De volta ao Brasil depois dos 12 dias de descanso na França, o ministro da Saúde, José Serra (PSDB), pretende anunciar sua disposição de disputar o Palácio do Planalto nos próximos dias e deve deixar o governo em 19 de fevereiro para reassumir sua cadeira no Senado e lançar-se na corrida presidencial.
É o que prevêem e defendem dirigentes nacionais do PSDB, lembrando que a data conjuga não só a reabertura do Congresso como também o prazo limite para que os presidenciáveis tucanos inscrevam-se na pré-convenção do partido que vai tratar de sucessão presidencial. A executiva nacional tucana determinou que os pré-candidatos se apresentem ao partido até 20 de fevereiro para terem seus nomes apreciados na pré-convenção a ser realizada quatro dias depois. Como a saída de Serra não antecipa a reforma que substituirá os políticos por técnicos, restarão ainda seis outros tucanos do Ministério até abril, além de três representantes do PFL, dois do PMDB e outros dois do PPB.
A reabertura oficial do Congresso está marcada para 15 de fevereiro, mas como se trata da sexta-feira da semana do carnaval, a nova sessão legislativa só deverá começar na terça-feira, 19. É quando o Serra deve voltar a ser senador, diz o prefeito de Vitória, Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB), que além de participar da executiva nacional do partido tem sido apontado como o nome mais forte para coordenar a campanha presidencial do ministro da Saúde.
Embora a direção nacional do PSDB tenha estabelecido o dia 20 de fevereiro como data fatal para a inscrição de candidatos na pré-convenção que vai tratar de eleição presidencial, cardeais do partido explicam que a medida é mera formalidade.
Hoje o Serra é candidato único, concorda o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), um dos articuladores da candidatura do ministro da Saúde. A expectativa geral é a de que o ministro anuncie em breve que aceita ser candidato e, a partir de então, passe a falar sobre todos os assuntos e não apenas sobre saúde.


