O desafio existe há décadas, mas raramente ações coibitivas sérias foram executadas. Pior. Não se deu solução para regulamentar uma atividade ilegal que por força das necessidades de milhares de brasileiro virou uma profissão. E, assim, os sacoleiros invadem ruas e pequenas galerias levando adiante um comércio contraventor aos olhos da lei e dos homens que deviam fazer cumprir a legislação.
Londrina oficializou um camelódromo, onde se compra todo tipo de objetos de origem clandestina. Agora, a mesma cidade, via poderes executivo e legislativo, amplia os benefícios para esses trabalhadores patrocinando parcialmente um shopping popular. Nada de errado no comércio dos camelôs, desde que estes, como o comerciante estabelecido legalmente, recolha os tributos devidos. Nada de criticável na ajuda do poder público a estes vendedores pejorativamente denominados sacoleiros, desde que, como o trabalhador que recolhe imposto na fonte, estes também cumprissem o seu dever com o fisco. Mas o que ocorre é uma relação injusta.
Em Brasília, na boca da Esplanada dos Ministérios, os sacoleiros ocupam calçadas e corredores de condomínios comerciais, ofertando falsos tênis e CDs piratas.
Ontem, para revidar uma fiscalização mais rigorosa, os sacoleiros se mobilizaram na fronteira. Agiram como o governo ensina. Na baderna. E enquanto não houver governo capaz de sanar esse problema com justiça não só para os camelôs, mas principalmente para os trabalhadores assalariados e pequenos comerciantes, outros protestos desses acontecerão após cada ação dos fiscais.
Walter Ogama

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