O estudo elaborado por técnicos – e divulgado parcialmente pelo prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), – sobre o futuro da Sercomtel indica o óbvio: a venda é a única possibilidade de sobrevivência a longo prazo para a operadora. Ainda que em um primeiro momento a população rejeite a ideia, baseada na primeira negociação de 45% das ações para a Copel e que resultou em um dos maiores escândalos de corrupção da história de Londrina, é preciso discutir o assunto tecnicamente – e mais seriamente.
Uma empresa pública não consegue competir, em um mercado extremamente acirrado e dominado por multinacionais, em condições iguais. Burocracia, dificuldades na obtenção de recursos e más administrações ao longo dos anos acabaram por dificultar a sobrevivência da Sercomtel no mercado.
No caso da Celular, a concorrência seduz os consumidores com os últimos aparelhos lançados e tarifas reduzidas, o que nem sempre a empresa local consegue oferecer. Já na telefonia fixa, a dificuldade de infraestrutura para a instalação de cabos parece ter sido transposta pela concorrência. Além disso, o momento também é de avaliação sobre o futuro. Inúmeros exemplos apontam para a drástica redução do uso do telefone fixo, principalmente no segmento residencial. É um modelo de negócios que necessita urgentemente de uma reavaliação.
Somado a esses fatores, há a possibilidade real de intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A explicação é que a Sercomtel não estaria cumprindo uma cláusula do contrato de concessão devido ao fluxo de caixa negativo (custos maiores que a receita). Para regularizar o fluxo, são necessários, até o próximo mês, cerca de R$ 15 milhões para "honrar compromissos cotidianos". Se esse recurso têm faltado para quitar despesas, qual seria a garantia de que daqui a alguns meses novo aporte não será necessário?
Por isso, é importante que seja iniciado o debate com a população a respeito da venda da Sercomtel. O assunto deve ser exposto tecnicamente e com transparência aos londrinenses. O que não se pode fazer é deixar que a operadora – um dos orgulhos dos londrinenses – morra sem qualquer solução.

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