Sercomtel: concorrência ou mau gerenciamento?
Quem lança este repto é o presidente da Câmara Municipal de Londrina, vereador Sidney de Souza, ao formalizar pedido de informações à Prefeitura sobre a situação de dificuldade financeira das duas companhias telefônicas do Município, a fixa e a celular. A Casa quer balancetes analíticos e consolidados das empresas desde março de 2000 até março deste ano, visando conhecer a razão dos déficits. Ocorre que, alegando prejuízo constante e crescente, o prefeito Nedson Micheleti pensa em vender as duas companhias para a sócia minoritária Copel ou entregar-lhe o controle acionário.
Um pequeno aporte de capital iria manter o problema, já a venda por inteiro dispensaria o município do compromisso de gerir duas empresas deficitárias. O serviço telefônico, no mundo, é tocado por gigantes e passou a ser um negócio de escala, com pouco espaço para os pequenos. As multinacionais competem em tecnologia e também em número de usuários, e as duas companhias municipais londrinenses se arrastam. Alguns de seus diretores ouvidos não vislumbram sair do ''vermelho''. Mas a resposta sobre um eventual mau gerenciamento ainda não está dada, e isto agora a Câmara de Vereadores quer saber.
A Sercomtel está carregada de diretores caros, conforme este Jornal apurou, mas esta ainda não é a razão da dificuldade financeira. Certo é que nem a Prefeitura e nem a Copel investiram um centavo sequer para implantar modernidades, porque a injeção de capital da associada minoritária obrigaria a outra a parte a entrar com a sua parcela correspondente, e este dinheiro nem o Município e nem as duas Sercomtel possuem. Se a Copel - que dispõe de meios - o fizer sozinha, terá de abocanhar mais ações e isto abreviaria o controle acionário.
Técnicos do setor são unânimes em afirmar que a venda é irreversível, e melhor que o adquirente seja o atual sócio - a Companhia Paranaense de Eletricidade, que é uma estatal e é do Paraná. As duas empresas têm salvação se houver dinheiro para expansão - o que a Copel dispõe. Argumenta-se mais que a grande empresa paranaense tem uma capilaridade de fibras óticas de seu próprio sistema e isto propicia o expansionismo, em todo o Estado. Só operando em Londrina, Tamarana e Arapongas, e crescendo devagar, a Sercomtel não chega lá - alertam opiniões abalizadas. No passado - verdade que sem a presença de concorrentes - a Sercomtel pôde acompanhar os avanços tecnológicos e superar obstáculos, inclusive o anseio de domínio da Telepar no caso da telefonia celular.
Mas se a venda é inevitável - antes de saber-se se o que ocorre não é mau gerenciamento ou um anseio do poder público municipal de fazer dinheiro - pode-se conduzir o negócio de forma a manter salvaguardas, como conservar a titularidade da sede em Londrina, até porque a Copel tem uma unidade aqui, e porque a fuga dessa empresa resultaria em perda de pontos nesta cidade já fraquejante no ranking das grandes cidades do Sul. É preciso uma habilidosa discussão política para a Sercomtel não perder suas marcas londrinenses, e não por brio ou bairrismo mas por conveniência estratégica.





