Sercomtel: ainda que tardia privatizar é o caminho
Em tempos de economia globalizada, o desenvolvimento e o fortalecimento dos espaços regionais tornam-se quase imprescindíveis. A Sercomtel como estratégica para a cidade e região sempre será o maior e importante ativo a ser colocado em pauta. Mas é forçoso reconhecer que a cidade nunca conseguiu superar esse debate, onde as intenções e discursos são confrontados com a realidade do mercado de telecomunicações, com investimentos crescentes para fazer frente as atualizações tecnológicas.
Por mais que possamos realçar os pontos positivos da empresa, é importante analisar o contexto em que a Sercomtel encontra-se neste momento. Única empresa pública com atuação local, trabalhando dentro de um cenário de forte competição onde a capacidade de investimento é o fator principal e determinante de sua participação no mercado. A Sercomtel, que detinha 10 anos atrás 50% do mercado de telefonia móvel em Londrina, hoje está com menos 2%. Na banda larga fixa ainda detém um mercado robusto de quase 182 mil assinantes, mais ou menos a metade do mercado. Telefonia fixa, além da perda atratividade, encontra ainda outros competidores.
A redução de receita vem ocorrendo de forma acelerada, o mesmo não acontece com as despesas. Em uma empresa privada, a todo o momento existe uma busca do equilíbrio entre receitas e despesas, buscando sempre preservar os investimentos. A Sercomtel tem quase uma inflexibilidade para redimensionar suas despesas.
Com a redução de investimento o caminho possível seria encontrar recursos de terceiros junto ao mercado financeiro privado de difícil captação e, por sua configuração estatal, não tem acesso a financiamentos de organismos de fomentos como BRDE, Finep e BNDES. Só restaria o aporte de recursos dos sócios e acionistas.
E aqui nem é preciso discorrer muito, o sócio majoritário, a Prefeitura de Londrina, diante das demandas colocadas, não fará sentido retirar do tesouro municipal aportes financeiros para a empresa. O que parece ser uma solução mais "viável" que seria a realização de aportes pela Copel (Companhia de Energia Elétrica do Paraná) tem suas dificuldades.
Qualquer aporte tornaria a Copel acionista majoritária fugindo do seu negócio principal, que é o investimento em energia elétrica. Parece-me que a estratégia da Copel sempre foi o de investir em infraestrutura de telecom para atuar no mercado de atacado e não para o consumidor final.
Embora ainda com muitas resistências, o caminho da privatização embora tardia ainda é possível. Não podemos esquecer que o caminho aberto pela Agência Nacional de Telecomunicações no processo que possivelmente poderá levar à intervenção na empresa e, ao que tudo indica, não acontecerá através do modelo tradicional onde, o governo federal assumiria as dívidas dos hoje acionistas. O mais racional seria a intervenção na operação para garantir a prestação de serviços e não os passivos que são de responsabilidades dos acionistas.
Portanto, quanto maior for o tempo de solução mais redução teremos na participação da empresa no mercado e mais acumulo de dívidas ocorrerão. E, no modelo de privatização, ainda pode se garantir a permanência da empresa por um período de tempo, onde ajustes que serão necessários ocorra dentro de um período de transição.
Nesse sentido, o melhor caminho a trilhar é o da privatização. Ou arcar com os custos de no médio prazo termos por falta de investimentos um valor do negócio que não atrairá investidores. É bem verdade que o valor da empresa hoje deve estar se aproximando do seu atual passivo. Mais tempo mais essa curva será ainda mais de desfavorável.
JOÃO REZENDE é economista, ex-presidente da Sercomtel, ex-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações e ex-secretário municipal da Fazenda de Londrina
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