A Copel está impedida de aumentar sua participação na Sercomtel porque tem entre seus acionistas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que é também acionista da Telemar - controladora da telefônica OI. A legislação federal impede que uma mesma instituição participe majoritariamente de duas empresas telefônicas. Este é, em suma, o principal obstáculo à operação ''ventilada'' pelo governador Roberto Requião nas eleições do ano passado, visando criar, a partir da união da Copel e Sercomtel, uma companhia pública de telefonia. É o que explica o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, nesta entrevista.

Como a Copel vê a participação na Sercomtel?
A nossa preocupação é grande porque a compra das ações da Sercomtel foi feita num valor absurdamente fora de padrão, bem acima do que a Sercomtel valia na época. Isso criou um passivo grande para a Copel, o retorno que deveria ser compatível com o valor da empresa, só tem sido negativo. E a explicação é simples: a Sercomtel está numa área que, enquanto ela estava sozinha era uma coisa, hoje tem uma concorrência brutal. A própria população, se tem tanto amor à empresa, tinha que ter celulares ou fixos só da Sercomtel, e não tem. Então, ela de fato está numa situação quase impossível de competir.

A Copel tem sua própria empresa de telecomunicações?
Sim, a Copel Telecomunicações, que também tem possibilidade de expandir. Hoje ela atende dados e imagens por rede de fibra ótica e tem a possibilidade de atender voz também (IP). A Copel tem essa possibilidade de crescimento estrondoso na área de telecomunicações dentro do conceito de expandir pela rede elétrica. O único problema é a gente desenvolver equipamentos para eliminar a interferência da rede elétrica. Estamos testanto soluções que estão sendo utilizadas na Europa. Com isso aí, atenderíamos 99% da população do Paraná (em telecomunicações) com a rede elétrica. Seria imbatível. Teoricamente a Copel tem condição de partir para a telefonia sem a Sercomtel.

Qual a implicação da legislação na ampliação da parceria?
Esse é o problema mais sério. Pela legislação das privatizações, tem um impedimento da Copel comprar a Sercomtel porque o BNDES, que tem 26% de participação na Copel, tem mais de 20% de participação na Telemar - e a legislação impede a concentração no setor. E a segunda coisa: quando foi feita a privatização, a preferência pela compra das telefônicas públicas é das telefônicas que já estavam na região. No Sul, a Brasil Telecom é a detentora dessa possibilidade.

O impedimento é pacífico?
A avaliação da área técnica da Anatel é que não teria condição, mas eles mandaram para a área jurídica dar a resposta final. Mas pedimos a contratação de uma empresa para fazer a avaliação do patrimônio da Sercomtel para ver até que ponto a gente teria ou não condição de adquirir. Mas, aparentemente, com esses impedimentos está ficando difícil fazer a aquisição.

A Copel pode se desfazer das ações da Sercomtel?
Sim, é uma alternativa. Se a Copel puder expandir a telefonia sem a Sercomtel, é uma maneira de tirar esse eventual prejuízo que dá a telefonia celular. Ou separar, ficar só com a fixa, deixar a celular com a prefeitura. Mas isso também depende da Anatel. Só que não podemos ficar esperando essa decisão da Anatel, então nós estamos trabalhando independente da Sercomtel para desenvolver a nossa rede de telecomunicações. Se vier alguma resposta positiva, a gente volta a conversar depois do estudo de avaliação. Se vier negativa, ficamos quase que concorrendo com a Sercomtel, daí não tem muita lógica, o ideal seria até vendê-la. Sei que tem interessados na Sercomtel até por uma questão de sinergia, provavelmente essas operadoras de telefone celular devem ter interessse em comprar.

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