Curitiba - Advogado e jornalista, ex-prefeito de Curitiba, ex-governador do Paraná de janeiro de 1991 a abril de 1994, o senador Roberto Requião, do PMDB, volta ao Palácio Iguaçu oito anos depois de ocupar o cargo. A eleição de Requião representa o início um novo ciclo político. O grupo de Jaime Lerner (PFL), adversário histórico do peemedebista, deixa o poder depois de dois mandatos consecutivos administrando o Estado.
Requião passou o dia na expectativa, em Curitiba. À noite, ao sair de sua casa no Bairro Champagnat, fez questão de brindar a vitória com seu candidato derrotado ao Senado, o empresário e ex-governador Paulo Pimentel (PMDB). Driblando a Lei Seca, Requião levou duas garrafas de champanhe francês até a casa de Pimentel, no Jardim Schaffer, bairro nobre da Capital.
Em seguida, enquanto a apuração das urnas continuava sendo feita, Requião saiu às ruas para comemorar com a militância. Foi até a produtora, no Bairro Água Verde, onde eram editados seus programas. Lá foi organizada uma festa. O peemedebista também passou pelo comitê na Visconde do Rio Branco, onde estava um caminhão de som do PMDB e tinha agendado para o fim da noite um comício com o PT no centro de Curitiba.
Requião planeja passar cerca de dez dias descansando, para então começar a trabalhar com a transição, passo inicial para a posse, em 1º de janeiro. Em uma das diversas conversas do dia com jornalistas, o governador eleito sinalizou que, de forma geral, o que no seu entendimento for bom para o Paraná será mantido em sua administração, inclusive eventuais técnicos que sejam competentes.
Uma das principais providências prometidas por Requião é ''desatar o nó'' do pedágio. Requião avalia que as concessionárias que exploram o serviço cortam mato e pintam estrada, e devem receber por isso. Ele promete uma redução nos preços ou o fim da cobrança das tarifas.
O peemedebista deixou ainda transparecer certa mágoa do adversário na disputa, o senador Alvaro Dias (PDT). Requião disse que, no horário eleitoral gratuito na tevê e no rádio, a coligação encabeçada por Alvaro fez acusações ''pesadas'' contra ele, envolvendo sua família. Alvaro acusou Requião de nepotismo no debate da afiliada da Rede Globo no Estado.
A seguir, leia trechos da entrevista que Requião concedeu à Folha na noite de ontem:
Folha - Qual é a sensação de voltar ao Palácio Iguaçu, depois de quase dez anos?
Requião - Uma responsabilidade muito grande. E tenho agora uma experiência também maior. Será um grande governo para o Estado.
Folha - O senhor tem amanhã uma reunião importante com o governador Jaime Lerner (PFL), seu adversário político, para conversar sobre a transição. O que o senhor espera desse encontro, e qual o diagnóstico que faz dos oito anos da atual administração?
Requião - Será uma reunião de cortesia. Espero que aconteça em clima de civilidade. Eu vou pedir a ele (Lerner) que paralise o concurso para professores, para que possamos fazê-lo melhorado. Faço um apelo para que ele não tome nenhuma medida que afete o futuro governo.
Folha - Que peso teve a vinculação de sua campanha a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)? Foi a militância do PT que ajudou a virar esta eleição no Paraná, no segundo turno?
Requião - Claro que o PT teve uma participação muito importante. Claro que ajudou muito, todos os companheiros ajudaram bastante. No segundo turno, contei com o apoio de políticos éticos. Isso nos deu um grande reforço no Estado. Com a ajuda do Padre Roque Zimmermann (candidato derrotado do PT), Rubens Bueno (candidato derrotado do PPS), e de muitos outros, ficou mais fácil.
Folha - Foi uma campanha muito difícil, considerando que durante todo o primeiro turno seu adversário, o senador Alvaro Dias (PDT), esteve à frente das pesquisas?
Requião - Foi dura, mas gratificante. Tive a oportunidade de percorrer todo o Estado, e recolher sugestões para o meu programa de governo.
Folha - O senhor já definiu como será trabalhada a transição, na prática?
Requião - No começo, Maurício (irmão de Requião) e o Eron Arzua (ex-secretário da Fazenda no governo de Requião) ficarão encarregados do processo, das negociações políticas. Em cerca de dez dias, formarei a equipe de transição.
Folha - Qual a avaliação que o senhor faz da eleição de Lula (PT) para a presidência?
Requião - Estou muito satisfeito. Com isso se restabelece a união entre os governos estadual e federal. Uma união baseada na identidade de princípios e propostas. O Brasil está mais alegre neste momento, significa efetivamente uma mudança.

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