A Usina Central do Paraná, em Porecatu - que produz açúcar e álcool - é que sustenta a economia daquele município e da região vizinha, mas desde que é comandada pelo Grupo Atalla vem atrasando pagamentos aos trabalhadores e tem contra ela cerca de três mil ações trabalhistas e uma dívida pertinente de R$ 16 milhões. A maior parte das ações é movida por cortadores de cana, uma classe tangida por trabalho braçal pesado, e além disso com baixa remuneração.
Uma empresa pode ser útil sem prejudicar trabalhadores, e a história dessa indústria é mesclada de benefícios e da marca nada lisonjeira de não manter salários em dia e de não pagar horas extras. A maioria das ações tem a ver com o não-pagamento desses adicionais, e no corte de cana o trabalho é de sol a sol. Ali operam trabalhadores de idade regular e também velhos, jovens e mulheres. Quando termina a colheita, muitos migram para outras frentes, porque o serviço é temporário. Afirmar-se que este é um trabalho escravo não é uma verdade, mas por natureza muito duro, levando os serviçais à exaustão. E por acréscimo, as horas a mais trabalhadas precisam ser reclamadas na Justiça, quando não há atraso de pagamento no geral - o que deu motivo à recente greve dos trabalhadores, tanto do corte quanto da indústria. O juiz trabalhista Mauro Paroski diz que a usina ''é o bem e o mal, o céu e o inferno, Deus e o diabo''. Mas se a empresa é, por um lado, sustentadora da economia de Porecatu, não seria pior sem ela, porque as terras seriam ocupadas por outras culturas, e estas são economicamente rentáveis, pelo exemplo da maior parte do Paraná. E se a usina contribui com ocupação de mão-de-obra e giro de dinheiro, também usufrui dos benefícios.
Analistas do sistema rural afirmam que aquela região seria mais rica se não se ocupasse apenas da monocultura da cana e se a propriedade das terras não fosse tão centralizada. Na verdade, o latifúndio da cana não é um bom sistema agrário, mas esta é apenas mais uma das questões, porque a mais grave é essa história antiga de a usina de Porecatu prejudicar trabalhadores. Os quase três mil processos trabalhistas dão um testemunho desta verdade. E não são ações de trabalhadores oportunistas e sim dos que pegam pesado de facão em punho.
É importante fazer-se este registro num momento em que o Brasil olha para a cana, para produzir etanol, como um grande fator de desenvolvimento. Será bom atentar se esse novo rush não irá apenas beneficiar o meio ambiente, os grandes plantadores e os usineiros.

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