SEQUESTRO INFANTIL - Comunicação imediata de desaparecimento pode salvar vidas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Uma ação rápida e que pode salvar vidas. De acordo com especialistas em segurança, a comunicação imediata do desaparecimento de crianças e adolescentes para a polícia representa um aumento representativo nas chances de prender o sequestrador e libertar a vítima. Por isso, nos Estados Unidos foi criado o Alerta Amber, que consiste no envio de informações sobre a criança desaparecida e o suspeito, feito pela polícia, para os meios de comunicação, que fazem a divulgação imediata.
No Brasil, um projeto de lei prevê a implantação de sistema semelhante. No Paraná, há 23 crianças desaparecidas, sendo que 12 sumiram antes da criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) em 1996. Depois, foram registrados cerca de 1,5 mil desaparecimentos e apenas 11 vítimas não foram localizadas.
De acordo com a delegada Ana Cláudia Machado, do Sicride, a postura dos pais é essencial para evitar que os responsáveis transformem-se em alvo de sequestradores. ''Os pais devem sempre orientar os filhos, explicarem os perigos e riscos que eles correm. Senão, facilmente uma pessoa que tem intenção de praticar um crime com essa criança vai conseguir convencê-la'', alerta.
Qual sua avaliação sobre implantarmos sistema semelhante ao Alerta Amber?
Nós do Sicride acreditamos em duas frentes que auxiliam muito o trabalho de enfrentamento ao desaparecimento de crianças. A primeira é a prevenção e a outra é o uso de diferentes formas de divulgar rapidamente a notícia do desaparecimento. Hoje em dia os alertas são passados apenas no âmbito das polícias civis, militares e da Polícia Rodoviária Federal, mas acreditamos que o envolvimento da imprensa auxiliará muito nas buscas de uma criança desaparecida.
O anúncio do desaparecimento está ligado à confirmação pela polícia. As nossas delegacias estão prontas para atuar em casos de desaparecimento com a agilidade necessária?
No Paraná o Sicride acaba centralizando todas as ocorrências e como temos uma história de 15 anos de uma atividade voltada só para o desaparecimento de crianças até somos referência nacional. Tem que passar pela polícia porque infelizmente algumas pessoas confundem casos de desaparecimento com outros que envolvem, na verdade, desavença familiar ou então uma simples saída voluntária do lar.
É grande o número de crianças e jovens que fogem de casa?
A parte de adolescentes é competência de outra unidade policial, mas em relação a crianças cada vez mais cedo encontramos casos em que saem de casa por causa de um namorado ou porque querem ir a determinadas festas e a mãe, com razão, não permite.
Algumas pessoas pensam que é necessário aguardar 24 horas para comunicar o desaparecimento, mas isso é um equívoco, correto?
Não existe qualquer prazo para começar as buscas de um desaparecido. Identificando que a criança deveria estar em determinado local e ela não chegou ainda e não há explicação para isso, a autoridade policial já deve ser comunicada para as buscas serem iniciadas. Quanto antes se iniciar as diligências para tentar localizar essa criança ou pessoa desaparecida, com mais rapidez conseguiremos encontrá-la.
Vemos com frequência crianças brincando longe dos pais pelos corredores de shoppings ou sozinhas na calçada de casa. Os pais ainda são negligentes na segurança de seus filhos?
Em todos os casos que nós temos ainda em investigação, as crianças acabaram sendo subtraídas por um terceiro quando estavam sozinhas ou acompanhadas de outras crianças. Por isso intruímos os pais a nunca deixarem uma criança sozinha, mesmo durante o dia.
Tem alguma idade que seria mais seguro a criança sair sozinha, já que hoje é tão difícil os pais estarem acompanhando o tempo todo?
Criança, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, é a pessoa de 0 a 12 anos incompletos. Minha orientação é não deixar sozinha, por mais que às vezes dê um certo trabalho. A partir do momento que você teve um filho, você é responsável por ele e tem que cuidar. Às vezes, talvez no trajeto para casa, fique meio difícil o horário do pai não fique compatível com o horário da criança, então tentar um rodízio entre familiares, ou entre vizinhos, para sempre um adulto acompanhar as crianças.
Quais outros cuidados os pais e responsáveis devem ter para evitar que seus filhos sejam sequestrados?
Os pais devem conhecer os amigos dos filhos e os pais desses amigos, e devem ter atenção à internet. Sabemos que essas pessoas (molestadores) se fazem passar por crianças quando estão em contato com as crianças. O horário mais perigoso seria das 14 às 17 horas, que é quando a criança está em casa e os pais estão trabalhando. Na maioria das vezes o molestador acessa o computador do trabalho.
O computador com acesso à internet deve ficar na sala ou no corredor para os pais poderem fiscalizar, verificar com quem essa criança está falando. Ajudar a criança a decorar o endereço da sua casa é importante. Se alguém chegar perto e fizer qualquer tipo de convite ela deve dizer não, se afastar e contar para um adulto imediatamente.
Quais providências devem ser tomadas assim que a família notar a ausência da criança ou adolescente?
Primeiro ligar para a polícia. Depois, procurar uma unidade policial com uma fotografia recente da criança. A gente faz um cartaz para auxiliar na busca e a família já sai com esse cartaz enquanto os policiais fazem diligências.
Muitas vezes temos a impressão que desaparecem mais crianças no Paraná do que em outros Estados. Essa impressão é procedente?
Acho que por termos uma unidade policial especializada, que trabalha exclusivamente com crianças desaparecidas, temos o auxílio da mídia e conseguimos divulgar bastante o nosso trabalho. Em encontros nacionais, o que se verifica é que no nosso Estado o número acaba sendo reduzido.
A nossa criança não costuma sair de casa por sofrer maus tratos ou algum tipo de violência dos familiares, como ocorre em outros locais. A grande maioria das crianças que saem de casa - estou falando de fuga - acaba sendo por curiosidade, em busca de aventura. São fatores bem diferentes, mas relevantes para ajudar na investigação.
Serviço: Informações sobre crianças desaparecidas e cartilha para o público infantil: www.sicride.pr.gov.br


