São Paulo – A estrutura para sequestrar o publicitário Washington Olivetto pode ter custado US$ 100 mil. A suspeita é da polícia e está baseada no fato de o grupo ter pago aluguéis de casas e de uma chácara, estadias em hotéis, comprado carros e equipamentos eletrônicos. Os sequestradores também viajaram para três capitais brasileiras, para o exterior e financiaram um grupo de pelos menos dez pessoas por quase dois meses morando no Brasil.
A quadrilha que tomou Olivetto como refém também adotou alguns dos procedimentos básicos das ações de sequestro da guerrilha urbana que atuou no Brasil, no Chile, na Argentina e no Uruguai até meados dos 70. A escolha do disfarce - uma falsa barreira de ‘‘agentes’’ da Polícia Federal diante da qual o motorista do publicitário não deixaria de parar - e da casa que serviu de cativeiro, em um insuspeito bairro da classe média são movimentos característicos dos grupos clandestinos armados.
A extensa e minuciosa lista de regras de comportamento fixada pelo grupo para serem seguidas pelo refém é outro indicador da familiaridade com os manuais que, há 30 anos, definiam a forma das operações de campo das organizações clandestinas. A fuga rápida dos responsáveis pelo cárcere do publicitário depois da prisão dos cúmplices também aponta para o mecanismo de garantias da guerrilha: sem receber um sinal externo pré-ajustado que indicaria a condição de segurança da equipe envolvida, todos eram instruídos a abandonar o esconderijo em cinco minutos. Abandonar o prisioneiro também fazia parte do plano de escape.

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