Especialistas respondem que sim, desde que o medo não cause bloqueios na vida da pessoa; nesse caso, é preciso procurar ajuda para superar as limitações

Curitiba – Medo de dirigir, de falar em público, de andar de elevador ou avião e até mesmo de namorar. Todos sentem algum tipo de medo. Mas até que ponto ter medo é saudável e como saber o momento certo de procurar ajuda?
A psicóloga Neuza Corassa, do Centro de Psicologia Especializado em Medo, explica que o medo é normal e saudável enquanto representa proteção e prevenção a perigos. O problema é quando esse medo passa a limitar a vida da pessoa.
Foi o que aconteceu com a comerciante V.F., de 23 anos. Quando decidiu engravidar e o ginecologista pediu alguns exames de sangue, ela desistiu de seus planos pessoais. Antes de enfrentar a seringa, fez sete meses de terapia. V.F. não conseguiu descobrir o motivo do medo de tirar sangue, já que nunca teve problemas em tomar injeção ou vacinas. ‘‘Meu medo estava ligado ao sangue, à veia. Eu tinha medo de desmaiar, de ficar fraca. Nem meu tipo sanguíneo eu sabia’’, conta.
A terapia começou com muita conversa sobre a fobia, depois veio o contato com a borrachinha, a seringa e a agulha, acompanhado de relaxamento e associação com pensamentos bons. Passo a passo, a aproximação com a situação fóbica fez com que a ansiedade diminuísse. Aos sete meses de terapia, a primeira vez que conseguiu tirar sangue teve que ser no consultório da psicóloga, depois de uma noite mal dormida.
‘‘No dia em que tirei sangue pela primeira vez, foi como se tivesse quebrado uma barreira em minha vida’’, diz. Depois disso, fez vários exames de sangue, ainda na companhia do marido e sem olhar para a seringa, é verdade. Hoje seu filho tem 10 meses e ela planeja ter mais um no futuro.
Neiva Maria Piloni, 37 anos, também tem uma história de superação de fobia. Depois de quatro anos que havia tirado a carteira de habilitação, o carro continuava na garagem. Com duas filhas pequenas, mesmo em dia de chuva, Neiva dependia de ônibus para levá-las na escola, ao médico ou onde precisasse. ‘‘Quando eu acordava e via que estava chovendo, meu coração disparava’’, conta. Nem o marido, nem os familiares e amigos a compreendiam.
Um dia Neiva criou coragem e resolveu enfrentar o bloqueio. Pegou o carro decidida a levar as filhas para a escola. A experiência foi ainda mais traumatizante, pois ela conta que não se lembra como voltou para casa. Sua única lembrança é de que saiu do carro com dificuldade, cambaleando e sentindo dormência no corpo. ‘‘As pessoas achavam que eu não queria dirigir, mas neste dia percebi que eu tinha que procurar ajuda’’, explica.
Foram sete meses de tratamento até que pôde dirigir sem medo, no centro da cidade, na estrada, a passeio ou a trabalho. Neiva faz questão de mostrar que superou a dificuldade e incentiva outras pessoas a procurarem ajuda para se libertar do medo.

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