As urnas mais uma vez expressaram a vontade do povo. E a vontade do povo mostrou a força da mulher londrinense. Na última legislatura tivemos somente uma representante e com destaque tamanho de sua atuação política que ela foi reeleita com estrondosa votação, mostrando que a sociedade está mais politizada e de olhos bem abertos em relação aos trabalhos desenvolvidos por nossos vereadores e vereadoras na casa do povo. A contagem de votos mostrou preferência tão grande pela candidata que a coloca como inevitável ocupante da cadeira que presidirá a Câmara.
A participação feminina nas eleições brasileiras teve início com a líder feminista paulista Berta Lutz, que foi a pioneira na defesa do voto feminino e dos direitos da mulher. Filha do cientista Adolfo Lutz, ela se formou em Ciências Naturais na Universidade de Paris, a Sorbonne. Em 1919, foi aprovada em concurso no Museu Nacional, tornando-se a segunda mulher a entrar no serviço público. Ela fundou e assumiu a liderança da Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher. Em 1922, representou o Brasil na assembléia da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos. Como deputada federal em 1936, ela defendeu a mudança da legislação referente ao trabalho da mulher e do menor, propondo a igualdade salarial, a licença de três meses à gestante e a redução da jornada de trabalho, então de treze horas.
A luta das mulheres pelo voto iniciou-se em 1910, com a fundação do Partido Republicano Feminino, no Rio de Janeiro, e a participação ativa teve seu ápice em 1932, quando o então presidente Getúlio Vargas promulgou através de decreto-lei o direito das mulheres de votarem e serem votadas. Nos anos 60 e 70, a movimentação delas foi marcada pelas fortes campanhas quanto a volta da democracia ao País. Foram criados nessa época o Movimento Feminino pela Anistia e o Centro da Mulher Brasileira. Da década de 80 em diante, a participação política feminina espalhou-se pelo País contribuindo para a criação do Conselho Nacional da Condição Feminina em 1985, órgão este ligado ao Ministério da Justiça.
As mulheres estão conseguindo avanços políticos significativos até nos mais machistas países do mundo. Em Teerã, durante do pleito de 1987, a mais destacada mulher na política iraniana, a deputada Faiza Hashemi – filha do presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani e partidária de Khatami – mencionou, em entrevista coletiva, que ainda era cedo para que uma mulher ocupasse a Presidência (a candidatura das poucas aspirantes fora vetada pelas autoridades), mas acrescentou: ‘‘Eu realmente espero que breve possamos ter uma ministra.’’
Ainda no cenário político internacional, o Conselho Inter-Parlamentar de Paris divulgou recentemente: ‘‘O conceito de democracia só alcançará um sentido real e dinâmico quando as orientações políticas e as legislações nacionais sejam definidas em comum pelos homens e pelas mulheres, tendo em conta de modo equitativo, os interesses e atitudes de ambas as metades da população.’’
Aqui em Londrina, a mobilização feminina na política tem crescido a cada eleição e agora é chegada a hora de termos nossa primeira presidenta na Câmara de Vereadores, que com aval do povo que confia que seu trabalho em tão importante posição logrará absoluto sucesso em todas as questões, mais principalmente, naquelas de cunho moral e ético com as quais ela tão bem lidou em seu primeiro mandato. Forças, nem sempre ocultas, procuraram de todas as formas desestabilizar sua atuação tentando vinculá-la a uma política sexista, mas o que se viu foi a confirmação de todas as teorias sócio-antropológicas segundo as quais os momentos de crise são profícuos na revelação da real capacidade feminina em prol de toda a sociedade.
O mínimo que todos os eleitores do sexo ainda denominado frágil embora não fuja à luta, e do que conhecido como forte aplaude sua coragem esperam das outras duas mulheres eleitas para o próximo mandato é o total apoio à senhora presidenta na busca incansável do bem comum e realização do nobre dever de oferecer a nossas populações carentes melhores condições de vida. Parabéns senhora presidenta.
- RICARDO PROCHET é administrador de empresas e professor universitário em Londrina
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