A proximidade dos eleitores com os candidatos de suas cidades deveria transformar as eleições municipais na melhor oportunidade de uma escolha certa na hora do voto. Apesar da distância social, econômica e às vezes cultural que separa o prefeito e o vereador eleito da pessoa que confiou seu voto a eles, são estes – ou deveriam ser – pessoas da cidade. Na ótica simplista da democracia, estariam, o prefeito e o vereador que o eleitor escolheu, sentindo os mesmos problemas, as mesmas dificuldades, semelhantes aspirações e desfrutando, enfim, dos mesmos sentimentos de felicidade em relação à localidade onde vivem. Seriam, essas três partes, integrantes de uma mesma comunidade.
Não haveria, assim, o risco das idéias e dos projetos apresentarem acentuados conflitos, uma vez que inclusive os interesses seriam parecidos. Mas, para manter esta base simplista de raciocínio, teríamos que considerar que o buraco de rua que atrapalha a trajetória do prefeito ou do vereador, quando ele se dirige à prefeitura ou à Câmara, não é o mesmo que entorta o aro da bicicleta do eleitor. São obstáculos distintos, um no caminho da autoridade, outro no cotidiano do contribuinte.
Para a autoridade, um buraco sempre terá mais prioridade de solução do que o outro e o interesse circunstancial é que vai determinar qual deles será tapado primeiro. O que atrapalha o contribuinte não poderá render votos a três anos das eleições, mas permitirá imagens de máquinas e homens trabalhando, cujo material será útil para peças de futuras campanhas eleitorais. O que obriga o motorista da autoridade a fazer um desvio, por ser visível e incômodo, provavelmente terá solução imediata.
Ruim pensar no homem, seja ele eleitor ou candidato, como alguém movido por interesses de alcance limitado. Porém, é o que a realidade escancara e nem sempre de maneira sútil. A opção pelo partido, e não pelo candidato do partido, poderia se constituir como uma alternativa para o eleitor ter a plena certeza de que escolheu um projeto político, um programa, um plano de ação para o município onde mora. Se houvesse, é claro, um partido com um plano claro e bom para a comunidade. Essa alternativa, infelizmente, ainda é algo a ser pensada. Ela não existe e faz falta na nossa democracia.
- MARIA APARECIDA GUERRA é assistente social em Londrina

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