Sem trégua para o aperto
A classe média brasileira vem pagando caro por sua condição. A carga tributária sobre essa camada de renda da população sofreu aumento de 10% nos últimos três anos, segundo pesquisa da consultoria PriceWaterhouseCoopers. Uma família com renda bruta mensal de R$ 3.200 gastou R$ 960 por mês com impostos no ano passado. Há quatro anos, alimentava a máquina arrecadadora do Estado com R$ 873.
A má notícia é que, pelo o que propõem os candidatos à Presidência, o panorama não será muito diferente nos próximos anos. Apesar da expressão 'reforma tributária' não sair da boca dos quatro mais cotados à vaga de FHC, nenhum deles se mostra disposto a amenizar a dentada sobre o cidadão de renda média. Certos de que não poderão abrir mão de um centavo de receita, apresentam projetos tímidos que apenas 'retocam' a estrutura tributária do País.
Pesquisa do economista Luis Carlos Vitali Bordin, com base nos projetos apresentados pelos candidatos, mostra que os impostos serão redistribuídos no futuro governo, mas não reduzidos.
Luis Inácio Lula da Silva, por exemplo, propõe criar o IVA Imposto sobre Valor Agregado, de alcance federal em lugar do ICMS, estadual. Desarma, com isso, os Estados para a guerra fiscal e drena recursos do Estado para a União. Ciro Gomes, que também cria o IVA, juntando três tributos (ICMS, IPI e ISS), é o que passa mais perto da palavra 'redução', ao propor a diminuição gradual do Imposto de Renda de Pessoa Física. Mas a compensação viria na forma do pomposo ''Imposto Kaldor'', tributando o 'consumo supérfluo'. As propostas de José Serra e Anthony Garotinho tampouco poupam o cidadão da corrosão fiscal.
O eleitor deve estar avisado: não se falou, até agora, em aliviar a carga sobre o contribuinte. Como define Ciro Gomes a respeito da ''mini-reforma tributária'', o governo FHC vai fechando o seu mandato com ''providências de varejo''. O novo presidente, ao que parece, manterá o estilo.
Ruth Meira





