O impasse entre Prefeitura de Londrina e a Transportadora Kalunga Ltda. atingiu em cheio os cerca de 4,6 mil usuários do transporte escolar rural. Na segunda-feira à noite a empresa decidiu suspender o serviço, deixando muitas escolas vazias. No final do ano letivo, em um período crucial para muitos alunos, crianças e jovens perderam conteúdo por uma briga jurídica entre poder público e empresa privada. No entanto, o pior é que não há previsão para retomada do serviço, o que pode dificultar o encerramento do período letivo ou levar à extensão das aulas. De qualquer forma, os estudantes já foram prejudicados.
O impasse teve início no ano passado quando sentença da 12 Vara da Fazenda Pública de Londrina considerou inválida licitação em razão do superfaturamento no preço do quilômetro rodado. Na semana passada, por unanimidade, a 5 Câmara do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná acatou recurso da empresa e da prefeitura para reverter a decisão de primeira instância. Mesmo sem a publicação da decisão do TJ em diário oficial a Kalunga decidiu suspender o serviço para cobrar o pagamento de um aditivo contratual no valor de R$ 2,5 milhões, assinado em julho pelo então prefeito Barbosa Neto (PDT), às vésperas de sua cassação. Como a própria Controladoria Geral do Município (CGM) não recomendou o reajuste dos preços, o pagamento do aditivo não foi efetuado, o que agora é cobrado pela Kalunga.
É de se esperar bom senso entre as partes para a resolução do problema para que os alunos não sejam mais prejudicados. Embora o aditivo tenha sido assinado legalmente, um dado da CGM é estarrecedor porque aponta para um aumento de 64% no custo do transporte escolar a partir de 2007, ano em que a Kalunga venceu a licitação. O relatório aponta que sem o monopólio o serviço custava aos cofres públicos R$ 4,9 milhões por mês, saltando para R$ 8,1 milhões a partir da licitação vencida. Embora óbvio, ainda chega a surpreender a falta de cuidado com o dinheiro público. Aumentar em 64% o pagamento de um serviço que já estava sendo prestado parece absurdo em qualquer empresa privada. É preciso que vereadores e população fiquem mais atentos e fiscalizem a aplicação do dinheiro público.

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