O direito da população protestar é legítimo e faz parte do processo democrático. Nas nações civilizadas é comum esse tipo de manifestação, geralmente conduzida de forma pacífica. Recentemente, os espanhóis saíram de suas casas para pedir o fim da monarquia e essas imagens percorreram o mundo. No Brasil, o assunto vem ganhando espaço, desde o ano passado, tanto em escolas, universidades, redes sociais quanto nas delegacias de polícia.
Depois de junho de 2013, a sociedade brasileira sabia que os protestos atingiriam às ruas das cidades-sede da Copa durante o torneio de futebol. E as manifestações vêm acontecendo tanto pacificamente quanto de maneira violenta, com a atuação dos já conhecidos black blocs.
Anteontem, em Salvador (BA), uma pequeno grupo de pessoas percorreu o Pelourinho logo após o jogo entre Portugal e Alemanha. A faixa "Fifa Go Home" chamou a atenção dos turistas que saíam do estádio da Fonte Nova e a passeata pacífica ganhou adesão até dos estrangeiros.
Quando ocorrem de forma organizada, os protestos podem realmente colaborar para chamar atenção dos problemas graves de um país. É o caso da manifestação realizada também anteontem, no início da tarde, em Curitiba, por grupos de apoio à causa LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis). Incomodados com a política anti-homossexual de Nigéria e Irã, as entidades se reuniram na Boca Maldita para chamar a atenção dos paranenses e turistas que vieram ao Paraná para ver o jogo entre as seleções dos dois países.
Infelizmente, o caráter legítimo das manifestações se perdeu quando um grupo percorreu o centro de Curitiba destruindo agências bancárias, depredando ônibus e estações-tubo. Foram detidas 14 pessoas, entre elas dois adolescentes.
É importante uma resposta rápida da polícia no sentido de identificar e responsabilizar esses manifestantes que depredam o patrimônio público e privado. É preciso ficar claro que a ação dos black blocs não acrescenta nada de positivo à crítica que a sociedade faz quando questiona as autoridades em relação ao contraste entre os gastos com megaeventos e o dinheiro aplicado nos serviços públicos.

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