Enquanto muitos brasileiros apontam para a necessidade de renovação na política brasileira, os partidos insistem em velhos conhecidos e candidatos que há anos detêm cargos públicos. Levantamento realizado pela reportagem aponta que cerca de 40% dos postulantes que disputam as eleições neste ano não concorreram em nenhuma outra eleição para cargos públicos desde o pleito de 2006 (última com dados disponíveis no DivulgaCand ano, em que o Tribunal Superior Eleitoral fez uma grande atualização na área de informática).

Importante lembrar que dentro desse percentual, há parentes diretos (filhos, cônjuges, sobrinhos, netos) de velhos conhecidos dos eleitores, o que não significa necessariamente uma renovação. A "crise de liderança" é fator histórico no Brasil, país que passou 21 anos com um governo de ditadura militar (1964-1985). Pode-se afirmar que esse período praticamente impediu a formação de quase uma geração de políticos formados em um ambiente institucional de liberdade.

Além disso, é possível afirmar ainda que essa falta de "novas caras" é resultado da falta de credibilidade da classe política. Escândalos de corrupção, desvio de dinheiro público e toda sorte de falcatruas e maracutaias afastam a sociedade desse quadro. Não por acaso, outra reportagem desta FOLHA mostrou que os mandatos dos deputados estaduais que estão na Assembleia Legislativa do Paraná há duas ou mais legislaturas somam mais de 400 anos. Naturalmente, a maioria dos parlamentares estaduais e federais busca a reeleição em outubro – ou então outros cargos.

Desta forma, qual seria saída para a falta de renovação na política? A resposta está com a própria sociedade que, ao invés de se afastar, deveria passar a participar mais ativamente da vida pública do País. Se todos passarem a fiscalizar ações, votos e posições dos detentores de cargos públicos certamente eles terão mais cuidado ao agir contrariamente aos interesses da população.

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