O que se diz, não se escreve, o que se escreve, não se assina embaixo. E já que se não está assinado, não vale (pelo menos não como prova), no Brasil os políticos se dão o direito de dizer o que bem entenderem de acordo com a ocasião. A expressão ''dou a minha palavra'' não significa mais nada.
Mas na política, a palavra vale muito. Em Londrina, teria até preço: R$ 40 mil por um único ''não'' em uma votação de Comissão Processante - pelo menos é o que está sendo investigado. E se a imprensa precisa noticiar tudo os verbos na condicional (teria dito, teria pago, teria feito), é porque mesmo diante de papéis, gravações e imagens não há como saber quem é que está falando a verdade. Todos são suspeitos, e levantam suspeitas sobre tudo.
Os acontecimentos que mais uma vez abalaram a credibilidade da Câmara de Vereadores esta semana em Londrina são uma prova de como a engrenagem que move as decisões mais importantes da cidade está comprometida, ruindo.
É desalentadora essa impressão de que, para os nossos representantes, o dinheiro é o único argumento que vale em uma tomada de decisão tão importante quanto a abertura de uma CP, ou a votação de um projeto de lei que pode definir se a região central da cidade vai se desenvolver daqui para frente com ou sem grandes empreendimentos. Ou ainda perdoar grandes devedores de impostos.
E é mais triste ainda não saber se a pessoa em quem depositamos nossa confiança faz jus ou não ao nosso voto. Por meio de cartas, leitores desta FOLHA têm manifestado essa sensação - que é geral - de indignação, mas com insegurança. De não saber mais em quem confiar, de temor pelos resultados que estão por vir, e com a suspeita de que ainda há muita sujeira escondida por aí.
A CP da Centronic está aprovada, os prazos são definidos e improrrogáveis, mas ainda há o problema da palavra. Quem hoje ainda é um ''homem de palavra''? Isso agora os vereadores terão que provar com suas ações. Que sejam ao menos ''homens de atitude'', agindo com honradez e em nome da Justiça.

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