Indicadores de renda, de trabalho e de escolaridade comprovam a grande diferença existente entre brasileiros ricos e pobres. No entanto, quando se trata de moradores de "aglomerados subnormais" (denominação para favelas, palafitas, cortiços e outros tipos de conjuntos de habitações precárias) o abismo aumenta ainda mais. Além dos bens de consumo, o dado mais expressivo se refere à educação.
Censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que enquanto 14,7% da população que mora em outras regiões das cidades tinha concluído o ensino superior, apenas 1,6% dos moradores de favelas detinham algum diploma. Esse dado é importante porque reflete diretamente em outros indicadores econômicos. Na renda, por exemplo, 31,6% dos habitantes de comunidades carentes tinham rendimento familiar per capta menor do que meio salário mínimo; em outras regiões, o índice cai para 13,8%. A informalidade também era mais elevada: 27,8% dos moradores de favelas trabalhavam sem carteira assinada; nas demais áreas o percentual é de 20,5%.
Esses dados comprovam que apesar da exaustiva divulgação, os programas sociais não conseguem melhorar de fato a vida dessas pessoas. Se não há escolaridade, renda ou emprego formal, difícil esses brasileiros conseguirem encerrar um ciclo de dependência. Desta forma, mais uma vez o assunto se volta ao centro da discussão, que é a oferta de uma educação pública de qualidade. É preciso melhorar o ensino em todas as suas fases – da educação infantil ao técnico. O analfabetismo funcional tem que ser extinto. Com uma boa formação, cria-se um novo ciclo na vida dessas pessoas.
A partir da melhora da vida dessa parcela da população, automaticamente um outro problema bastante presente ainda na sociedade será minimizado: o preconceito. Pesquisa, divulgada ontem na FOLHA, mostrou que 30% dos moradores de favelas afirmaram ter sofrido algum tipo de discriminação, seja devido ao local de moradia, pobreza, vestuário e cor da pele. O preconceito é uma das piores chagas de uma sociedade e que impede o desenvolvimento de uma nação. As oportunidades têm que ser oferecidas a todos e as pessoas não podem ser tratadas de forma diferente.

mockup