Entre as famílias não assistidas está a de Maria Aparecida da Silva Costa, 38 anos, moradora do Jardim Monte Cristo (zona leste). Mãe de três filhos de 13 a 17 anos e grávida de sete meses, ela não esconde a preocupação com os estudos dos filhos. ''Meu marido está vendendo caldo de cana com o cunhado, mas consegue ganhar só uns R$ 100,00 por mês. Na escola da minha filha já avisaram que tem que comprar os livros. Eu trabalhava por dia e vendia salgado na rua, mas parei depois que fiquei grávida.''
Maria Aparecida diz que há cerca de três meses fez o cadastramento para o Bolsa-Escola, mas ainda não obteve nenhuma resposta. Resignada, ela espera por uma ''bênção de Deus'' para poder comprar o material escolar dos filhos. ''Vamos ver o que Ele está preparando mais para a frente, porque eu ainda não sei como vai ser.''
Além de viabilizar a compra dos livros e cadernos, o Bolsa-Escola muitas vezes é a garantia de alguma comida em casa. Outra moradora do Monte Cristo, Aparecida Maria da Silva Minas, que teve o benefício suspenso, acha que se não voltar a receber o dinheiro não terá condições de mandar os filhos para a escola, nem de pagar todas as contas da casa. ''Não tenho dinheiro nem para o material e o uniforme.'' Ela usava o que sobrava do benefício para comprar alimento e ajudar a pagar água e luz.
Aparecida é mãe de sete filhos, cinco deles em idade escolar (de 11 a 14 anos). A família vive da pensão recebida pelo filho portador de deficiência mental e de R$ 100,00 referentes à pensão do ex-marido. A ajuda do Bolsa-Escola era fundamental. ''Eu fui a pé lá na prefeitura tentar receber o dinheiro, porque ninguém me avisou de nada. Mas não consegui.'' Neste dia, Aparecida andou tanto sob o sol que no fim do dia foi levada de ambulância para o hospital, com febre.
''Me falaram que suspenderam o dinheiro porque meus filhos faltaram muito na escola, mas não foi tanto assim. O mais velho teve que ir várias vezes ao Postinho, porque ficou doente, e a menina teve que faltar umas vezes para ficar cuidando da casa para eu poder levar meu filho e meu neto na APAE.''
Segundo a secretária de Ação Social, as mães são advertidas três vezes antes que o benefício seja suspenso, mas Aparecida argumenta que ninguém a procurou para falar das faltas dos filhos.