No dia 21 de agosto, completou-se um ano do encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a primeira Olimpíada organizada por um país sul-americano. O evento na capital fluminense e a Copa do Mundo, realizada em 12 cidades brasileiras em 2014, foram sucessos de organização, sem incidentes sérios e com momentos esportivos inesquecíveis, mas seus reflexos para o País (o tal "legado"), mais perceptíveis hoje, servem de analogia para a euforia seguida de depressão que o próprio Brasil atravessou de uma década para cá. Quando o País foi escolhido para sediar o Mundial de futebol e os Jogos Olímpicos, respectivamente em 2007 e 2009, passava por um momento de pujança econômica. Receber os dois maiores eventos do esporte mundial parecia o passaporte definitivo para o panteão das grandes nações, obsessão brasileira que ganhou ênfase no período em que a Presidência esteve nas mãos do PT. Mas, assim como a política econômica de então provou-se equivocada com a recessão dos últimos anos, hoje uma série de fatores gera consenso de que a Copa e as Olimpíadas não foram bons negócios para o País: superfaturamento, estruturas abandonadas ou subaproveitadas, uma lista de agentes públicos e privados – o mais recente foi Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) – crivados por denúncias de corrupção. Suspeitas envolvendo grandes eventos esportivos não são exclusividade nossa: basta lembrar do esquema de doping promovido pela Rússia para que seus atletas brilhassem nos Jogos de Inverno de Sóchi, em 2014, ou dos relatos de compra de votos pelo Qatar para vencer a candidatura para a Copa de 2022 e de trabalho escravo nas arenas do Mundial. Mas é inegável que os atropelos da ética registrados para a realização dos eventos de 2014 e 2016 refletem os piores vícios da nossa vida política e das relações entre público e privado no Brasil. A Lava Jato, no processo de depuração que vem fazendo da política nacional, chegou aos dois eventos. O que se espera é que o espírito de indignação e intolerância com os desmandos criado pela operação se torne duradouro a ponto de o País aprender que só vai atingir o tão sonhado protagonismo mundial com discrição e trabalho duro – e não por meio de histrionismo para impressionar estrangeiros enquanto tudo o que nos atrasa permanece intocado.

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