Curitiba - O Paraná fechou o ano de 2002 com 2.718.779 veículos cadastrados no Departamento de Trânsito (Detran-PR). O número de carros circulando pelas vias paranaenses, no entanto, pode ser maior, já que não há controle sobre os veículos que não têm cadastro no órgão. O Detran-PR não tem referência quanto à situação da frota de veículos de outros estados, mas segundo a assessora técnica do órgão, Elaine Cava, o número de carros antigos circulando em relação aos mais novos é pequeno.
Do total da frota do Estado, 636.755 têm mais de 20 anos de uso, o que corresponde a 23,42%. A média de idade dos veículos no Estado é de 12 anos. Curitiba concentra a maior parte da frota paranaense (27,64%). São 636.755 veículos, dos quais 113.482, ou 15,09%, já estão nas ruas há duas décadas ou mais. Em Londrina, em um total de 171.929 veículos cadastrados, a proporção de carros antigos é um pouco maior. São 32.803 veículos (19,07%) com mais de 20 anos de uso.
Apesar de não existir um levantamento preciso da relação carro velho/acidentes, seria injusto afirmar que os carros com mais tempo de uso são um risco para o trânsito paranaense. Elaine afirma que numa investigação das causas de acidentes no Paraná, durante um mês, o Detran constatou que a grande maioria dos veículos envolvidos em acidente é de carros mais novos.
A avaliação feita pelo Detran-PR assim como inúmeras outras pesquisas já demonstraram aponta a imprudência dos motoristas como a principal causa dos acidentes, e não problemas mecânicos. ''O fator humano é bastante preponderante'', reforçou Elaine. O excesso de velocidade é um dos fatores de maior risco e, nesse caso, são os carros mais novos que assumem a dianteira dos abusos por conta do maior potencial.
A idade do carro, no entanto, pode estar relacionada à falta de segurança. Elaine lembra que em pesquisa feita em Curitiba nos dias 18 e 22 de novembro do ano passado, 386 veículos, entre carros de passeio e caminhonetes com 14,3 anos de uso em média, foram inspecionados. Mais da metade deles (51,8%) apresentou problemas no sistema de freios e 70,3% tinha problemas de suspensão.
O Detran-PR não tem como levantar o número de carros que circulam com problemas mecânicos ou sem condições de uso até porque a inspeção veicular prevista no novo Código de Trânsito ainda não entrou em vigor. Segundo Elaine, a prática ainda depende de regulamentação pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). ''Não há como fazer (a inspeção veicular) sem saber quais são as regras, de quanto em quanto tempo ela deverá ser feita e quem ficará responsável União, Estado ou municípios'', justificou.
A única irregularidade que tem controle efetivo pelo Detran-PR é a falta de licenciamento. Do total da frota paranaense, 23,96% (651.419) circulavam irregularmente no ano passado, com o licenciamento vencido. Para renovar o licenciamento é necessário estar em dia com o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e multas. Cerca de 1 mil veículos por mês no Paraná são pegos em blitze por irregularidades, o que inclui a inadimplência dos tributos e de multas e a falta de equipamentos obrigatórios de segurança no veículos.

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