A informação é que os cofres dos governadores e prefeitos nunca estiveram tão abarrotados quanto no início deste ano, por causa do aumento dos repasses da União - está beneficiada, de sua vez, pela elevação da receita e pela manutenção do arrocho tributário. Mas o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, diz que trocou-se seis por meia dúzia, porque em contrapartida as prefeituras passaram a assumir mais encargos com a descentralização de serviços de saúde e educação.
Certo é que os três escalões do Poder Executivo nunca estão satisfeitos com o que arrecadam. Quando é obrigado a eliminar alguma receita (caso da CPMF), o governo federal cria um imposto paralelo. E não cede em nada, resistindo em repartir mais equitativamente o bolo tributário. Talvez considere que Estados e municípios não fazem parte do Brasil e ignore que, por extensão, tudo compõe uma só grande administração pública. E as unidades da Federação e as prefeituras não se satisfazem nunca com o que recebem e vivem reivindicando ou adotando medidas para aumentar a receita. Mas nenhuma dessas instâncias toma a medida única e eficaz que resolveria todos os problemas: gastar menos com as mordomias, o inchamento dos quadros funcionais, a má aplicação de verbas e a pestilência da corrupção. O governador de Sergipe, em declaração de ontem, afirma que a demanda por serviços públicos é cada vez maior e que a receita dos Estados não é suficiente. Mas não se tem conhecimento de que governadores e prefeitos tenham elaborado um plano de economia, e nisso seguem o mau exemplo de Brasília. Eles ''economizam'' em prestar mais serviços à população mas não na farra pública.
Todos os dias o noticiário está repleto de casos de corrupção governamental e de esbanjamentos, no âmbito da União, dos Estados e municípios. Só para citar notícias de ontem e domingo: o ex-governador de Goiás e agora senador Marconi Perillo (PSDB) responde a seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal por recebimento de propinas, caixa 2, formação de quadrilha e por aí em diante. E outra informação revoltante é que, descumprindo decisão histórica do Tribunal Superior Eleitoral, está por um fio ser aprovado na Câmara Federal o restabelecimento do número anterior de vereadores nos municípios brasileiros.
Eles não se detêm em sua sanha corporativista, parecendo uma satânica provocação e um desafio aos cidadãos. Porque não há necessidade de mais vereadores, mas ao contrário, será preciso diminuí-los, porque quantos mais deles houver, maior será o gasto público e maiores as oportunidades de corrupção. Por tudo isso é que o dinheiro nunca é suficiente para servir à bocarra governamental.

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