O “apagão” no Amapá entrou no oitavo dia nesta quarta-feira (11) e embora as autoridades falem em restabelecimento de 100 por cento do serviço neste fim de semana, muita gente pergunta como serão as eleições no estado que vive dias de caos desde que um incêndio atingiu uma subestação de energia em Macapá na noite de 3 de novembro.

O estado, que tem cerca de 869 mil habitantes, segundo projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), viu cenas de guerra desde que a maioria das cidades ficou sem energia elétrica e teve o fornecimento de água interrompido – sem eletricidade, não há bombas hidráulicas funcionando.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o serviço foi interrompido para 85 por cento dos amapaenses, ou seja, cerca de 730 mil pessoas. A capital, Macapá, decretou estado de calamidade pública por 30 dias. Houve filas em supermercados, hospitais públicos interromperam as cirurgias eletivas e protestos foram registrados em cinco noites seguidas.

A tentativa de diminuir a revolta com um sistema de rodízio de seis horas de energia, mantendo o serviço de forma alternada, não vem surtindo efeito, levando em consideração os atos de vandalismo observados nas ruas da capital.

O “apagão” expôs a séria falha estrutural do sistema elétrica do Amapá e colocou em dúvida se outros estados não repetem a mesma situação de estarem inteiramente ligados em uma única subestação.

Desde os primeiros dias do drama da população amapaense, o estado e o governo federal trocam acusações sobre quem seria o responsável. Podemos dizer que a responsabilidade é compartilhada, pois se por um lado o estado não executa um plano eficiente, por outro lado o executivo federal deixou de fazer a fiscalização do serviço.

É importante que as autoridades policiais investiguem as responsabilidades e condenem os culpados a, pelo menos, indenizarem as famílias que tiveram danos morais e materiais.

Muito se tem comentado sobre as eleições americanas e um sistema de apuração confuso e demorado. Mas passou da hora de voltarmos os olhos para o território brasileiro e prestar solidariedade à população de um estado que se viu em uma situação absurda e inaceitável.

A FOLHA agradece a preferência!

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