Mais um indicador divulgado nessa semana dá mostras de enfraquecimento econômico e da falta de austeridade do governo federal. O superavit primário (receitas somadas do governo, Banco Central e Previdência Social) superaram em R$ 17,2 bilhões as despesas com pessoal, custeio, programas sociais e investimentos no primeiro semestre do ano. O resultado foi a metade do atingido no mesmo período de 2013 e o pior para um primeiro semestre desde 2000, quando foi alcançado R$ 15,4 bilhões. Nesse período o governo cumpriu apenas pouco mais de 21% da meta estipulada para o ano.
Superavit primário nada mais é do que o dinheiro que o governo consegue economizar. É o recurso gasto a menos do que arrecada e esse saldo é usado para pagar juros da dívida pública. O indicador também é usado pelo mercado financeiro como balizador sobre o risco do governo dar calote na dívida ou não. Além disso, é um dado importante porque tornou-se sinônimo de responsabilidade fiscal dos presidentes desde a crise do final dos anos 90.
A queda do resultado atingido no semestre pode ser atribuído à expansão do deficit da Previdência e da piora das contas públicas. A arrecadação vem caindo, resultado do fraco resultado da atividade econômica e, como este é um ano eleitoral, as despesas públicas têm aumentado e não há sinais de reversão. O curioso é que em um ano de crise, a inflação está em escalada de alta e também não há indicativos de que irá cair. Soma-se a esse cenário o baixo crescimento econômico.
Todos os indicativos mostram claramente que é preciso mudar os rumos da política econômica. O próximo presidente deve ter esse objetivo muito claro. É preciso outras soluções, além de medidas pontuais de estímulo ao consumo. Se não forem feitas amplas reformas e implantados projetos com vistas ao desenvolvimento, o País não sairá da crise.

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