Londrina registrou 103 capotamentos de veículos em 2006 e se aproxima de 60 esse ano. Médicos do Siate avaliam que o perfil dos ferimentos em acidentes urbanos se aproxima rapidamente dos que ocorrem em estradas. Há consenso de que isso se deve à velocidade excessiva. A instalação de ''pardais'' pela prefeitura foi barrada na Justiça - por ação do Conselho Municipal do Trânsito e Ministério Público. Com isso, a cidade - que tem 220 mil veículos - permanece sem qualquer equipamento capaz de fiscalizar a velocidade dos veículos. A seguir, a opinião do presidente do Conselho de Trânsito, Fábio Theophilo:

Por que o Conselho é contra a fiscalização eletrônica?
O modelo que prioriza a punição, que acha que todo mundo é bandido, não serve mais. É preciso uma reflexão. Nós queremos um trânsito seguro e uma sociedade mais justa. A sociedade que nós queremos, que é perto do ideal, é com pouca gente na cadeia e muita gente na escola.

Na prática, há muito gente trafegando a 100km/h e outras indo para o cemitério. A fiscalização não pode auxiliar?
A primeira ação que considero eficaz é a que eu vi no último fim de semana: a realização de blitz. Isso tem um duplo efeito, tanto na segurança pública quanto sobre o infrator de trânsito. Posso confessar que o fato de ter uma blitz passa uma sensação de segurança muito grande.

Radar para flagrar quem anda a 100km/h, não?
Acho que o modelo radar traz embutido o interesse num grande negócio, haja vista que são contratos milionários.

Em Brasília foram instalados radares dentro de um projeto que reduziu as mortes à metade e a velocidade média de 85km/h para 65km/h. Lá existem radares até hoje...
Lá não tira porque tem contrato.

O radar não funciona bem em Brasília?
Não é questão de funcionar ou deixar de funcionar, a questão é que tem particular fiscalizando o trânsito. Isso é uma aberração porque estão usando o trânsito como fonte de receita.

Mas é um modelo custeado com os recursos dos infratores - e não de quem respeita a lei...
Mas não temos que multar, temos que buscar a sociedade ideal. Vai chegar um dia que nós vamos multar pouco. Vou dizer uma coisa: o ser humano é falho por natureza, ele erra. O que nós não toleramos é o excesso.

Como tratar o motorista que excede a velocidade?
Aí que está: pau que nasce torto morre torto. Tem gente que você precisa colocar na cadeia e tirar de circulação. Não adianta meter a caneta no cidadão. Então, por isso a realização de blitz é boa. Outra coisa: o Conselho não aceita motorista dirigir sem carteira. Isso é a coisa mais grave que existe. Agora, como você vai tirar o cara que está dirigindo sem carteira? Será que é passando no radar ou dando tchauzinho para ele? Faltam campanhas educativas. Quantas vezes você foi parado no sinal, o cara deu boa tarde e perguntou se já fez sua boa ação no trânsito, se está dirigindo na velocidade?

Dirigir sem carteira é mais grave que andar a 100km/h ou furar sinal vermelho?
Muito mais grave. Outra coisa: temos um problema de estrutura no trânsito. De repente dizem: não pode mais instalar quebra-molas. É mentira. Dependendo do local e da situação, você às vezes pode. Numa via como a avenida Tiradentes é preciso criar uma chicane (curva em S) e estreitar a via, porque na rua mais estreita os carros andam mais devagar.

Por que o Conselho de Trânsito não tem representantes de todos os segmentos da sociedade - como poder público e empresas -, a exemplo dos Conselhos de Educação, Saúde, Meio Ambiente...?
Londrina não tem Conselho de Trânsito, nós somos uma ONG. Desde que eu entrei lá, nunca foi interesse. É importante que o Conselho tenha independência. Se fosse como os outros, poderia dar mais força, mas correria o risco de ser chapa branca.

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