Sem ajuda, Argentina pode viver caos hoje
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domingo, 21 de abril de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires Não tenho um plano B, já que o único plano é solucionar os problemas que temos e conseguir a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI). A afirmação é do presidente Eduardo Duhalde, que desta forma tornou oficial a falta de idéias sobre o que fazer caso o Fundo não conceda uma ajuda financeira para a Argentina, uma hipótese cada vez mais real.
O improviso tornou-se uma das características do governo Duhalde, que depois da desvalorização da moeda nacional, foi tomando medidas às pressas e de acordo com as circunstâncias, além das exigências do FMI. Sem apoio internacional, e com o FMI negando assistência financeira antes que a Argentina implemente duras medidas de ajuste fiscal, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, chegará hoje a Washington.
Logo depois de colocar os pés no aeroporto internacional de Ezeiza, o ministro terá que mobilizar suas forças para conseguir implementar a exigência do Fundo, a de assinar com cada província argentina um acordo individual que garanta o prometido ajuste fiscal.
A negociação pode levar dois meses, prazo insuportável para o governo, que precisa da ajuda do FMI já. Um dos motivos da urgência é o pagamento das dívidas que a Argentina possui em maio com os organismos financeiros internacionais, como o FMI, além do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
No sábado, o presidente Eduardo Duhalde declarou temer que o sistema financeiro explodisse por causa da saída de depósitos causada pela avalanche de recursos na Justiça contra o corralito (denominação do semicongelamento de depósitos bancários). Desde fevereiro foram drenados 3,25 bilhões de pesos dos bancos através dos recursos na Justiça. Duhalde atacou os juízes que haviam permitido estes recursos.
Para impedir esta saída de depósitos, o governo decretou feriado bancário por tempo indeterminado, enquanto elabora um plano para transformar em bônus os prazos fixos que estavam saindo do sistema. O plano já está sendo conhecido como Novo Plano Bonex, em alusão a um similar implementado em janeiro de 1990.
No final de semana, sacar dinheiro nos caixas eletrônicos para conseguir sobreviver durante o feriado bancário foi uma experiência árdua para os argentinos. Somente entre a noite de sexta-feira e sábado, 138 milhões de pesos saíram dos caixas eletrônicos, volume girado normalmente em uma semana. Na manhã de domingo, mais de 60% das 3.500 máquinas espalhadas por Buenos Aires já estavam sem recursos. Nos poucos caixas onde ainda havia dinheiro, clientes tinham dificuldade para sacar o volume desejado. Alguns caixas têm liberado apenas 50 pesos. Em outros, as pessoas conseguem tirar apenas patacones (bônus com que a Província de Buenos Aires paga os servidores).


