Selvageria nos presídios
Os atos de selvageria e barbárie registrados no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, chocaram os brasileiros. Impossível alguém não se impressionar com imagens de presos sendo torturados com extrema crueldade e depois sendo mortos, decapitados e tendo suas cabeças exibidas por outros detentos ainda zombando dos cadáveres. Estupros de esposas de presos registrados dentro e fora dos presídios e os ataques a ônibus do transporte coletivo que mataram uma criança de apenas 6 anos são outras ações enfrentadas.
O que causa mais estranheza é a demora da resposta do governo do Maranhão para resolver o problema, apesar dos apelos das Organizações das Nações Unidas e do relatório do Conselho Nacional de Justiça. Apenas nesta semana a governadora Roseana Sarney (PMDB) "mostrou-se convencida" das atrocidades ocorridas nas unidades prisionais e justificou que a violência ocorre "devido ao aumento da riqueza entre os maranhenses". Uma resposta sem qualquer sentido.
A Procuradoria-Geral da República pediu intervenção federal nos presídios do Estado, mas ainda não há julgamento do Supremo Tribunal Federal. Até agora alguns detentos teriam sido transferidos para presídios federais (não foram informados nomes e local da transferência) e foi anunciada a criação de um comitê formado tanto por órgãos maranhenses como federais para tentar conter a crise. Por enquanto, não há quase nenhuma ação efetiva e apenas troca de acusações entre os órgãos envolvidos.
No entanto, esse caso deve levar à reflexão sobre as condições do sistema penitenciário nacional como um todo. Barbáries acontecem frequentemente em todo o País e, por isso, é importante que a sociedade repense sobre a verdadeira função dos presídios. Levantamento feito pela Folha de S.Paulo aponta que um preso morre a cada dois dias em unidades prisionais do Brasil. É um número alto e, apesar de público e notório, reforça a tese de que as cadeias não ajudam na recuperação dos presos. Importante ter em mente que, mesmo privado de sua liberdade, a pessoa continua tendo direito à saúde, à cidadania, à justiça e à segurança, por exemplo. Submeter os detentos a condições sub-humanas só reforçará o caos nos presídios e o fortalecimento das facções criminosas.





