A carne que você consome, o medicamento que você utiliza, a boneca que você compra para sua filha, os manufaturados que são exportados. Na lógica de mercado que aponta para o consumo e a produção, um selo faz a diferença. Para comprovar a qualidade dos produtos e trazer garantias ao consumidor, o selo do Inmetro (Instituto Nacion2al de Metrologia) é, após pesquisas e testes de qualidade do Instituto, o passaporte para a conquista de novos mercados. E tranquilidade geral dos consumidores.

Em Londrina nos últimos dias para o Encontro de Atividades Científicas da Unopar, o professor, farmacêutico e doutor em química Juliano Smaniotto Barin, do Inmetro do Rio de Janeiro, destaca o que há de novo na área do controle de qualidade e faz um alerta: diante de um ''Maracanã'' de ofertas, consumidor tem que primar pela qualidade.

No que se refere ao controle de qualidade, quais os assuntos pontuais?
O INMETRO tem essa obrigação de difundir o conhecimento dentro do país. Todos os procedimentos técnicos são elaborados internacionalmente em colaboração com os institutos, inclusive o brasileiro, e isso é utilizado para padronizar o que é feito. Essa padronização sempre traz uma novidade, que é uma tendência natural, como qualquer ciência que acaba se desenvolvendo. A validação é uma dessas tendências.

Com a padronização e suas metodologias e normas, podemos dizer que o Brasil está avançado em relação ao controle de qualidade?
Se pegarmos como exemplo os países europeus, estamos ainda um passo atrás. No entanto, evoluímos muito em pouco tempo. Essa evolução se deve principalmente à exigência governamental e à fiscalização, cada vez mais rigorosas. Um exemplo: para a carne de frango entrar no mercado europeu, se exige que o resíduo de antibiótico seja menor que um micrograma por quilo. Para se fazer essa análise, não basta ter competência técnica, você tem que demonstrar para quem está aceitando seu laudo que você tem competência. O Brasil está nessa fase de afirmação técnica, de demonstrar que tem qualidade para fazer isso.

A indústria farmacêutica apresentou evoluções? Afinal, a criação da Anvisa é recente...
Sem dúvidas. Há 15 anos, os produtos farmacêuticos eram papéis. Entrava com um registro no Ministério da Saúde, aprovava um medicamento e não havia fiscalização sobre as indústrias farmacêuticas. Com a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 1999, o Brasil evoluiu muito rápido na vigilância de medicamentos e hoje, por conta desse avanço, estão faltando profissionais para tocar essas análises e procedimentos dentro das empresas.

Segurança alimentar, de medicamentos... O Brasil ainda apresenta muitos problemas?
Existem problemas com alimentos, com fitoterápicos e medicamentos. São problemas menores do que eram há muito tempo. Poderia dizer que passamos da fase de corrigir o principal e estamos corrigindo o secundário. Hoje, a questão de segurança alimentar atinge todo o mundo. Até pouco tempo atrás, era comum termos notícias de pessoas intoxicadas pelas aflatoxinas presentes no amendoim. Hoje já não tem tantos casos porque há um rigor maior na fiscalização e tem um conhecimento técnico nas análises para difundir para os produtores o que eles têm que fazer para evitar essa consideração. É toda uma cadeia.

Diante da concorrência de mercado, a qualidade pode ser caracterizada como requisito? Quais os cuidados que a população deve tomar?
E como diferencial também. Hoje, não compramos apenas pelo preço. A qualidade é o diferencial. Ainda temos no mercado muita carne de abjeto, açougues que não têm carne carimbada, vários tipos de produtos como medicamentos que prometem curar da ponta do dedo ao fio de cabelo dignos de desconfiança. Desconfie. Existem muitos charlatões de prontidão para induzir o consumidor a fazer uso desses produtos. Isso é muito perigoso. Nenhum produto deve ser consumido se não tiver registro no Ministério da Saúde.

E o slogan ''é natural, não faz mal''?
Isso é uma tremenda bobagem. Há plantas tóxicas que os animais comem e morrem. O mesmo vale para o ser humano. Precisamos mudar essa cultura do disse que disse, de balcão de loja. O problema muitas vezes não está no produto, mas no uso que é feito dele. A fiscalização é falha em muitos tópicos, mas não podemos atribuir a culpa somente aos órgãos que regulam essa parte. A informação existe e precisamos deixar a linha do comodismo.

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