Selo com cheiro de café
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2001
Oswaldo Trevisan 
Em solenidade realizada no último dia 20, na sede do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, os Correios lançaram uma emissão especial de selo comemorativo dos 200 anos do café no Brasil, com tiragem inicial de 3.600.000 exemplares, ao custo unitário de R$ 1,30, e que será utilizado especialmente na troca de correspondência internacional.
É um selo bonito e saboroso. Explico. É que, vendo a arte com que foi composto e as cores apropriadas utilizadas, dá vontade de beber café. A artista plástica Maria Helena Adonis pôs na obra todo seu engenho e arte, apresentando elementos que mostram o café em suas várias etapas, o grão natural, o grão torrado e o café já preparado e servido em xícara de porcelana branca, com detalhe da fumaça, indicando o café quente. E mais: o selo verdadeiramente tem cheiro de café, é aromático, de agradável fragrância, o que contribui ainda mais para que alcance a sua finalidade de divulgar o café do Brasil. E veja que ele traz Brasil escrito com S mesmo, portanto, um selo genuinamente brasileiro. É um verdadeiro brinde que os Correios fazem à cafeicultura nacional, que tanto já fez pelo Brasil.
O café significa força, quem toma café fica mais desperto, sente-se mais alegre e com mais vivacidade, melhora o astral, além de experimentar extraordinário desempenho de memória. A História registra que, depois de percorrer as Arábias, o café foi introduzido no Brasil em 1727, por Francisco de Mello Palheta, com sementes trazidas da Guiana Francesa e cultivadas por primeiro e de maneira incipiente no Estado do Pará, com plantio em grande escala a partir de 1760, quando os cafezais existentes em torno da cidade do Rio de Janeiro começaram a se mostrar produtivos e rentáveis. No início do século XIX, o cultivo do café se deslocou célere para a Região Sudeste, em direção ao Estado de São Paulo, principalmente ao longo do Rio Paraíba, e se expandiu ainda para o sul do Estado de Minas Gerais. No final do século, plantações de café eram encontradas nas proximidades da cidade de São Paulo, além do noroeste do Estado.
Rapidamente, o café se tornou o melhor e mais lucrativo negócio do País, principalmente do comércio exterior, tornando-se o responsável por mais de 60% das exportações brasileiras. Nos anos 30, o ouro verde, como aqui era chamado, expandiu-se pelo Norte do Paraná, região que, na década de 50, se tornou um imenso mar de café.
São muitos os benefícios sociais e econômicos que a cultura do café vem proporcionando ao Brasil, tendo rasgado o setentrião paranaense onde fundou inúmeras cidades, sendo responsável ainda pelo desenvolvimento de parte do Brasil moderno e economicamente forte, estando o parque industrial e regiões brasileiras mais desenvolvidas localizadas justamente nos Estados que eram ou são grandes produtores de café.
Em pronunciamento na solenidade, Wilson Baggio, respeitado líder da cafeicultura nacional, citando divulgação do Ministério da Agricultura, lembrou que a produção brasileira de 2002 está estimada entre 37 a 40 milhões de sacas de café, o que confirma o valor econômico e o alcance social dessa importante atividade agrícola que gera empregos para muitos brasileiros.
Com esse lançamento os Correios perpetuam em selo uma das marcas registradas do Brasil, resgatando uma lavoura que faz do Brasil um grande País, que continua sendo o maior produtor e exportador de café do mundo.
OSWALDO TREVISAN
foi prefeito de Cornélio Procópio e deputado federal constituinte


